Termina já no próximo sábado a exposição dedicada ao importante designer gráfico, ilustrador e pintor alemão, que foi expoente europeu dos movimentos do surrealismo e do realismo fantástico. 
“Caspar Walter Rauh e o Realismo Fantástico” é o nome da primeira exposição em torno do artista realizada na Península Ibérica, que está patente no Palacete dos Viscondes de Balsemão.
A iniciativa – em cuja inauguração participaram o Embaixador da Alemanha, Christof Weil, a diretora do Instituto Goethe, Elisabeth Volpel, o compositor Horst Lohse, genro do artista, e o Prof. Hans-Walter Schmidt-Hannisa, da National University of Ireland e proprietário da coleção exposta, entre outras individualidades – tem por objetivo principal tornar mais conhecida junto do público português a singular obra de Caspar Walter Rauh (1912/1983).
“Em Portugal, como aliás em muitos outros países, não se associa logo o nome de Caspar Walter Rauh aos importantes movimentos estéticos do século XX”, admite o Professor John Greenfield, do Departamento de Estudos Germanísticos da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Contrapõe, no entanto, que o desenhador, pintor e ilustrador está “com certeza entre as maiores figuras da arte do século XX – embora seja uma das mais esquecidas”. E aponta que “a obra tão característica deste ilustre desconhecido integra inúmeras pinturas, desenhos, cerca de 500 gravuras, mais de 200 aguarelas, diversos mosaicos e dezenas de ilustrações em obras literárias”.
 Não obstante a exposição no Palacete dos Viscondes de Balsemão representar “uma parte muito pequena” da obra do artista alemão – contemplando 33 gravuras (ou seja, pouco mais de 5% da sua obra) produzidas entre 1958 e 1981 – o professor catedrático considera que essas obras “mostram claramente a fineza técnica de Caspar Walter Rauh, que liga o trabalho deste mestre às antigas tradições gráficas do espaço alemão”. E, sobretudo, “impressionam pelo modo como Rauh representa de uma aparente forma ‘realista’ objetos que são, entre outros aspetos, fantásticos e grotescos”.
 John Greenfield explica ainda que “uma das características principais no desenvolvimento artístico de Rauh é a mistura de visões apocalíticas com momentos humorísticos e humanos, aproximando as suas composições da tradição artística da obra de, por exemplo, um Hieronymus Bosch, mas sempre valorizando a modernidade, deixando-se influenciar pela escola abstrata e, sobretudo, pelos surrealistas”.
 As imagens expostas dão conta de “uma riqueza imagética de um mundo fictício, aparentemente ‘real’, que é, por vezes, difícil de apreender e decifrar, um mundo desconfortável, caracterizado por uma profundidade estética e ética invulgares, que alia o sofrimento humano com a esperança e o humor”, aponta também o catedrático. E conclui: “Caspar Walter Rauh considerava que as suas criações tinham uma função reparadora no seio da sociedade, exercendo um efeito de equilíbrio. Um tal efeito era, com certeza, necessário no período pós-guerra alemão – mas não me parece menos necessário no mundo infelizmente cada vez mais assustador em que vivemos hoje…”
Para confirmar só até ao próximo sábado, dia 25, no Palacete dos Viscondes de Balsemão (Praça de Carlos Alberto). A exposição tem acesso livre e pode ser visitada de segunda a sexta-feira, entre as 10 e as 17,30 horas, e ao sábado das 10 às 13 e das 13,30 às 17,30 horas.
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