Sessenta anos depois, “A Promessa” volta à cena no Porto, agora no palco do Teatro Nacional São João. A estrear-se hoje, às 21 horas, a peça de Bernardo Santareno (1920-1980) regressa numa releitura do encenador João Cardoso.

“Maldita promessa, maldito casamento, maldita família!” – a frase do texto dramatúrgico abre a apresentação do espetáculo pelo TNSJ. Conforme se pode ler na sinopse, “a tempestade dura há já cinco dias e lá fora ouve-se ‘um mar bravíssimo e o vento rijo’. Cá dentro, uma mão cheia de personagens caminha com nomes carregados de simbolismo: há uma Maria do Mar e um António Labareda, água e fogo, mas também há um Salvador e um Jesus cego e vidente… Criaturas obcecadas com a pureza e fascinadas pelo mal, que se enredam em presságios funestos, dando espessura a um clima de peste emocional que alastra e aflige”.
“A Promessa” revelou Bernardo Santareno, um dramaturgo “hoje insuficientemente lido e representado”, que Jorge de Sena descrevera como “um talento obsessivo e sombrio”. Aquando da sua estreia em novembro de 1957 pelo TEP, lembra o TNSJ, “houve vozes que reprovaram o ‘ambiente de religiosidade erótica’ da peça, reparo que deveríamos tomar hoje como um elogio”. Neste contexto, e sessenta anos depois, o Teatro Nacional “promove o regresso desta Promessa à cidade que a viu nascer”.
O espetáculo estará em cena até 3 de dezembro. No próximo domingo, 19 de novembro, é tema de uma oficina criativa para crianças.

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