O eurodeputado Paulo Rangel defendeu hoje ser “fundamental” a União Europeia (EU) recolocar a sede da Agência do Medicamento numa cidade não capital, a bem da “coesão territorial”, afirmando que não há razão para o Porto não a acolher.

“É fundamental que a UE procure colocar estas instituições não nas cidades capitais, mas nas segundas, terceiras ou quartas cidades, para criar a Europa das cidades, e não dos estados puros e duros”, afirmou Paulo Rangel aos jornalistas, na Comissão Europeia, em Bruxelas.

O eurodeputado social-democrata, que está a promover sobretudo junto dos deputados do Parlamento Europeu a candidatura do Porto à sede da EMA (sigla em inglês), sublinhou que “é importante fazer a coesão territorial para as cidades médias e não apenas para as cidades capitais”.

“Se há uma UE que acha que a Europa vai de Vigo a Varna, não há razão nenhuma para não instalar a EMA no Porto”, vincou.

Afirmando que nesta sua iniciativa suprapartidária que trouxe a Bruxelas uma comitiva da candidatura do Porto e personalidades da cidade, designadamente representantes de instituições do ensino superior e da cultura, é “uma ação de ‘lobbying’ positivo”, na qual pretende “escolher deputados que chefiam delegações da Alemanha, da Itália ou da França, ou até da Eslovénia, e que normalmente estão ligados àqueles partidos que estão neste momento no governo”.

“São aqueles que fazem canal de ligação entre os respetivos governos e o PE, e esses têm de conhecer a candidatura” para que conquiste votos e consiga sair vencedora, entre as outras 18 cidades que estão também a disputar a sede da EMA, disse.

Segundo Rangel, a comissão da candidatura do Porto está a trabalhar de forma “louvável”, com um “empenho irrepreensível”, sendo agora fundamental formar “opinião” junto dos eurodeputados para atrair votos, especialmente numa segunda fase, que são “os que podem fazer a diferença”.

O social-democrata salientou que, apesar de esta tarefa ser “hercúlea” e de se estar perante uma corrida contra o tempo, uma vez que a decisão será tomada a 20 de novembro, o Porto “tecnicamente não tem nenhum problema”, e tem de “mostrar que tem condições para acolher uma instituição destas como tem uma cidade como Milão ou Amesterdão, cuja notoriedade é muito maior e cuja centralidade (…) é também maior”.

Paulo Rangel sublinhou também que “existe total sintonia de todos os deputados (portugueses), [que] há uma união e um esforço muito grande” no sentido de trabalhar para que esta candidatura portuguesa saia vencedora.

No âmbito desta sua iniciativa, Rangel apelou aos 21 eurodeputados portugueses para que, apesar de serem de “diferentes famílias políticas”, “cada um, junto dos seus grupos parlamentares, possa fazer a publicidade adequada”.

Afirmando não sentir “nenhum contravapor” neste processo de candidatar o Porto à sede da EMA, Rangel destacou que esta sua iniciativa de ‘lobbying’ visa mostrar “que o Porto é um ‘cluster’ de conhecimento, um ‘cluster’ universitário, altamente virado para as matérias da saúde”.

“E isto que é um facto estatisticamente fácil de provar, mas não tem a notoriedade ainda” e que é preciso “publicitar”, destacou.

Segundo Rangel, esta iniciativa “foi feita em tal articulação com o Governo português, com o Ministério da Saúde, a Secretaria de Estado dos Assuntos Europeus, com a Câmara do Porto, com a comissão da candidatura e com o Infarmed”.

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