A fábrica onde se rezava o terço e hoje se canta o fado enquanto se enchem latas.

Fundada em 1920, a mais antiga fábrica conserveira ainda em laboração em Matosinhos, a Fábrica de Conservas Pinhais, foi classificada como Monumento de Interesse Municipal. O anúncio foi publicado quarta-feira em Diário da República.
A fábrica, que “produz, provavelmente, as melhores conservas de peixe de Portugal e do Mundo” e que “utiliza o mais fresco peixe, bem como azeite puro de oliveira e tomate de elevada qualidade”, acaba de ser classificada como Monumento de Interesse Municipal.
“No dia 7 de Abril, a Pinhais passou oficialmente a fazer parte da história do país. De acordo com a publicação no Diário da República, o edifício da nossa fábrica foi classificado como monumento de interesse municipal pela Câmara de Matosinhos”, escreve a empresa, na sua página de Facebook.
“A Pinhais & Cia Lda. é hoje a mais antiga fábrica conserveira de Matosinhos ainda em laboração”, tendo celebrado, em 2020, o seu centenário de atividade industrial. “Mantém ainda toda a estrutura e muitos dos seus equipamentos originais, incluindo uma caldeira a vapor, equipamento que atualmente se tornou uma peça de grande interesse para a arqueologia industrial”, destaca o documento da Câmara Municipal de Matosinhos que fundamenta esta classificação.
“Além da Caldeira Babcock & Wilcox de 1929, são também de assinalar como equipamentos originais em uso a chaminé em tijolo, o filtro do azeite, a salamandra Doraliva, a cravadeira, o furador vertical, as bancadas em mármore, a balança de báscula, o mobiliário do consultório médico e creche”, lê-se ainda.
A fábrica mantém ainda “um processo de produção tradicional, privilegiando a utilização do peixe fresco e dos métodos artesanais, proporcionando uma reconhecida qualidade no produto final”.
Segundo o documento, o edifício adota o modelo das construções industriais dos finais do século XIX e do início do século XX.
Apresentando uma construção tipológica que contém todas as componentes espaciais de uma fábrica de conservas, a Pinhais conta com “uma vasta área de fabrico central, onde se processa o depósito de peixe fresco, de corte de cabeças e de remoção de vísceras, de engrelhamento e de salmoura. A cozedura a vapor e a retirada dos fornos. O arrefecimento do peixe, o enlatamento e a lavagem e esterilização.”

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