Faz esta quinta-feira, 4 de março, duas décadas que Portugal assistiu à maior tragédia rodoviária do país. Foi no dia 4 de março de 2001, colapsou o tabuleiro da ponte de Entre-os-Rios, perto de Castelo de Paiva, atirando para as águas gélidas do rio Douro um autocarro com 53 passageiros a bordo e três viaturas ligeiras, com um total de seis ocupantes.
No total, foram 59 as pessoas que perderam a vida nesta tragédia, cujas buscas pelos corpos duraram largos meses. Muitos foram encontrados na Galiza, a mais de 200 quilómetros do local do acidente, mas houve, infelizmente, outros que nunca chegaram a aparecer. 36 no total. Um número que continua a assombrar e a perturbar, ainda mais, a vida das dezenas de famílias que choraram a morte dos seus entes-queridos sem nunca se terem conseguido despedir deles.
O momento em que se deu a queda da ponte de Entre-os-Rios foi relatado pelos familiares das vítimas como “a coisa mais horrível que assistiram até então”. Assim que se soube da tragédia, e ainda sem grande parte das informações confirmadas oficialmente, foram várias as pessoas que se deslocaram ao local. A visibilidade era fraca, devido ao forte nevoeiro que se fazia sentir e à falta de iluminação na ponte. “Só se ouviam gritos”, recordou.
Também o então presidente da Câmara Municipal de Castelo de Paiva, Paulo Teixeira, relatou o mesmo acontecimento: “Quando chego próximo da ponte e paro o carro começo a ouvir muitos gritos. Recordo-me como se fosse hoje de uma senhora a dizer “Presidente, não avance mais, porque não há ponte”. Só com o nascer do sol, na manhã de seguinte, de 5 de março, o autarca teve a real noção da dimensão da tragédia que havia assolado o concelho.
Após o sucedido, o Governo abriu um inquérito, que viria a concluir que o colapso da ponte teve em causa “uma conjugação de fatores”, incluindo a extração de inertes a montante de Entre-os-Rios.
O caso foi a julgamento e, mais de cinco anos depois, em outubro de 2006, os quatro engenheiros da ex-Junta Autónoma de Estradas (JAE) e outros dois de uma empresa projetista, que o Ministério Público responsabilizava pela queda da ponte, foram absolvidos, por não existirem provas que sustentassem a acusação.

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