Os trabalhadores do Novo Banco alertaram hoje, no parlamento, que a administração se prepara para uma nova redução de balcões e despedimento de 1.500 trabalhadores, defendendo uma renegociação dos objetivos com a Comissão Europeia.
O alerta foi dado por Rui Geraldes, da Comissão Nacional de Trabalhadores do Novo Banco, hoje ouvido na Comissão de Trabalho e Segurança Social, numa audiência que já tinha sido requerida em 2020.
“Para 2021, fruto da atual conjuntura pandémica, será muito difícil atingir objetivos [acordados com a Comissão Europeia], estando previsto, caso os mesmos não sejam renegociados, o encerramento adicional de balcões e despedimento de 1.500 trabalhadores”, disse o responsável.
Segundo Rio Geraldes, “A administração está a ir mais longe do que os objetivos acordados com a DGComp [direção geral da concorrência da Comissão Europeia], uma vez que estes previam que em 2021 o banco deveria ter 400 balcões e 4.909 trabalhadores, objetivos já atingidos e ultrapassados em 2019”, disse o representante da Comissão Nacional de Trabalhadores, referindo que o Novo Banco tem atualmente 360 balcões e 4.668 trabalhadores no grupo (cerca de 4.350 no banco).
Questionado pelos deputados sobre como a administração justifica a necessidade de implementar mais cortes, Rui Geraldes afirmou que “muito recentemente” o presidente executivo do Novo Banco, António Ramalho, informou os trabalhadores de “que está a ser desenhado um Novo Banco de futuro”.
Ouvido no parlamento, o representante dos trabalhadores lamenta que ao longo de seis anos o Novo Banco tenha vivido “em reestruturações permanentes, sendo que o método aplicado passou sempre por fechar balcões, dispensar trabalhadores”.
Desde então e até hoje, o Fundo de Resolução já injetou 2.976 milhões de euros e ainda poderá colocar mais de 900 milhões de euros, valores que em cada ano têm impacto nas contas públicas uma vez que o Fundo de Resolução é uma entidade da esfera do Estado.
O presidente executivo do Novo Banco, António Ramalho, tem vindo a avisar que a instituição vai precisar de mais capital do que o previsto para este ano, face ao impacto da covid-19.

Facebook
Twitter
Instagram