OPINIÃO
Por Gustavo Pires *

A mentira, a aldrabice e a trapaça passaram a enquadrar os argumentos do discurso politicamente correto. Em contrapartida, os discursos de honestidade, frontalidade e verdade são, hoje, uma espécie de desporto de alto risco que as lideranças totalitárias confrontam através de ameaças, de perseguições, da condenação ao ostracismo e da utilização abusiva e antidemocrática dos Tribunais à custa do dinheiro dos contribuintes.
A verdade objetiva está cada vez menos presente nos discursos dos agentes do poder que hoje dizem uma coisa e amanhã, se necessário for, o seu contrário.
E, assim, o exercício do poder está transformado num autêntico manual das melhores práticas de nepotismo, de amiguismo e de corrupção que condiciona a liberdade de expressão àquilo que as nomenklaturas querem ouvir.
E, assim, a novilíngua consubstancia-se na arte da utilização de eufemismos, de ilusionismos, de falsas verdades, de inverdades e de mentiras propriamente ditas. E quando a competência mais valorizada da política que é transformação da mentira em verdade falha o argumento de recurso é sempre o mesmo: – A culpa é de Passos Coelho.
A partir de 2015 a Síndrome Passos Coelho tomou conta do pensamento político da maioria de esquerda que, desde então, governa o País. Quer dizer, a arte da política deixou de ser a capacidade de organizar o presente a partir de uma ideia de futuro que se deseja construir. Parafraseando Orwell, a arte da política passou a estar na capacidade de controlar o passado a partir do presente, porque quem controla o passado controla o futuro.

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