OPINIÃO
Por Alexandre Gonçalves*

Existem cada vez mais lombas dissuasoras de velocidade nas estradas portuguesas. Lombas que se podem contemplar e caracterizar como autênticas montanhas, tal exagerada é a sua altura e dimensão. Na realidade, há um conhecimento insuficiente sobre o verdadeiro efeito das lombas no comportamento dos condutores. Será que não é fundamental materializar as consequências das lombas dissuasoras no que toca às emissões poluentes, assim como ao seu encadeamento com a redução efectiva da velocidade e dos acidentes rodoviários?
As lombas e as plataformas constituem dispositivos de advertência que albergam a finalidade de alertar o condutor para a eventualidade de o mesmo ter de modificar o seu comportamento. Consistem na elevação da cota de superfície do pavimento numa faixa aplicada transversalmente à via com o objectivo de gerar um impacto físico e visual no condutor e, dessa maneira, obrigá-lo a diminuir a velocidade de circulação.
Boa parte dos acidentes, com envolvimento de peões ou não, sucede dentro das localidades. Os acidentes que embrulham peões acontecem frequentemente em passeios, em passadeiras sinalizadas, nas lombas “tipo montanha” e nas bermas da faixa de rodagem. A maioria desses acidentes tem lugar durante o dia e debaixo de benignos contextos de visibilidade e de luminosidade, sendo os cidadãos com mais idade as principais vítimas.
Os estudos e as análises sobre as virtualidades, potencialidades e fragilidades coligadas à utilização de estratégias específicas de acalmia de tráfego constituem uma superfície ainda pouco perscrutada, uma vez que os ensaios, os planos e os diagramas científicos referentes a esta temática ainda se apresentam incompletos e insuficientes.
Naquilo que concerne à poluição sonora, o emprego de algumas medidas de acalmia de tráfego, devido sobretudo à redução da velocidade, propende a diminuir os escalões de ruído produzidos pelo tráfego rodoviário. Contudo, a edificação de lombas, uma conhecida e disfuncional medida de acalmia de tráfego, acaba por aumentar os índices de poluição sonora. Será que as epidérmicas travagens antes de chegar à lomba e a aceleração depois de passar a lomba não promovem mais a poluição sonora do que uma passagem em velocidade constante? Será que o ruído proveniente do bater dos escapes, dos amortecedores e dos cárteres aquando da passagem nas lombas não promove, de modo significativo, os índices de poluição sonora? Será que o número excessivo de lombas nas estradas não coloca em risco a condução e, simultaneamente, os contextos de segurança rodoviária? Será que a elevada altura das mesmas não contribui para o aumento do número de acidentes? Será que as lombas não são amigas íntimas dos mecânicos e, consequentemente, das oficinas de reparação automóvel? Quais são os estudos que fundamentam a colocação de lombas? Onde estão esses estudos? Quais foram os critérios utilizados? Quem foram os “iluminados” que concretizaram esses estudos tiranos? Será que na maioria dos casos, as lombas não “procriam” acidentes rodoviários em locais que, até à sua construção, eram absolutamente “imaculados” em termos de sinistralidade?
As lombas redutoras de velocidade também provocam um incremento das emissões poluentes. Estas lombas, de considerável “altitude”, cresceram como cogumelos venenosos no cabimento urbano e suburbano. Será que os cárteres dos automóveis a derramar constantemente óleo nas estradas não colocam em risco o ambiente? Será que a condução irregular não avoluma a emissão das partículas poluentes?
De entre as inúmeras medidas de acalmia de tráfego, as lombas apresentam-se como a medida mais limitativa e perigosa, sendo, infelizmente e provavelmente, a mais perfilhada no nosso País. As lombas redutoras de velocidade estão intimamente ligadas às reduções concretas de velocidade, assim como ao aumento do número de acidentes rodoviários. Será que as lombas foram edificadas em locais onde existem antagonismos entre veículos e peões? Será que as lombas não podem ser entendidas como formas de controlo do comportamento do condutor que aumentam as taxas de insegurança não só dos condutores, como também dos remanescentes utilizadores da via pública? Será que a aplicação das lombas não constitui uma aberração e uma genuína ilusão? Será que não existem lombas intransponíveis para alguns automóveis de luxo? Será que estes automóveis não estão homologados para circular na via pública? Será que as estradas não constituem infra-estruturas concebidas para todos os cidadãos? Será que a edificação das lombas não constitui uma autêntica ausência de respeito pelo erário público? Será que os constantes buracos existentes nas estradas portuguesas não são suficientes para agonizar os condutores e para danificar os automóveis?

*Escritor e Técnico Superior na Divisão de Educação da Câmara Municipal da Guarda

Facebook
Twitter
Instagram