OPINIÃO
Por Joaquim Jorge*

Nesta nova fase de confinamento não se trata de atacar ninguém, principalmente, o governo. Todavia salta aos olhos para quem pensa e não é seguidista de governos ou partidos.
O governo não se preparou para esta possibilidade de nova onda de contágios. No final de Novembro o número de contagiados andava à volta de 3.000. Porém, em Dezembro com as pontes dos feriados do dia 1 e 8, em que muitos portugueses fizeram mini-férias saindo na sexta-feira e só regressando na quarta-feira de manhã, depois a autorização para se festejar o Natal, mesmo com o recuo da passagem de ano não deu para controlar estragos. As pessoas meteram-se em casa e festejaram à grande.
Outra coisa relevante foi permitir a entrada de ingleses, brasileiros, recentemente, cidadãos oriundos da África do Sul. Como sabemos são portadores da variante da Covid-19, isso fez com que, se disseminasse em exponencial o vírus.
Recordo-me de ler e ouvir o PR a pedir para que os ingleses viessem para Portugal, realizamos a Final Four da Champions, a Fórmula 1 e o MotoGP quando os outros países rejeitaram.
Somos um país de deslumbrados que não sabemos dizer – não. E, ficamos em bicos de pés por um qualquer elogio ou deferência de outros países. Sá Carneiro não era assim e batia o pé com personalidade e de cabeça erguida.
Este governo acreditou na convicção que tudo ia passar e com a vacina tudo se resolveria. Veja-se no que deu, passamos de um país exemplar na pandemia para o pior país do Mundo, com números brutais que deixa qualquer um estupefacto e a pensar: como foi possível?
O governo não se preparou para esta eventualidade, não se preparou para o aumento de número de contágios, não se preparou para o fecho das escolas, não se preparou para ter que adiar eleições. O lema foi “deixa rolar pode ser que a gente se safe”, todavia nota-se ausência de um plano B e estratégia para o executar.
Toda a classe médica e científica alertaram que no Inverno e frio haveria um recrudescer da pandemia e dever-se-ia ter feito o trabalho de casa: instalações, equipamentos e materiais, recursos humanos de saúde, estratégia para cuidar quem não tem Covid-19. Era importante ter rastreadores em função da população portuguesa e detecção das cadeias de contágio por inquéritos epidemiológicos
Era importante a criação de equipas de intervenção rápida tipo posto-móvel para irem às escolas e outros locais, por exemplo, lares para tratamento precoce de suspeitos de contágio.
Implementação de um sistema informático em rede com todas as unidades de saúde, para disponibilidade de atendimento, camas, contagiados, etc. O SNS 24 com gente recrutada nos centros de desemprego não deu resposta cabal e necessária.
Os militares nesta fase têm que sair dos quartéis e ajudar, na fiscalização e controlo, ser utilizados os seus hospitais militares. A utilização de hospitais privados a bem ou a mal com requisição civil.
Vivemos tempos de excepção exigem medidas de excepção e essas medidas devem ter como fito a maioria dos portugueses e não classes favorecidas e com dinheiro. Portugal parece um país com vários “paisínhos” estilo coutadas em que cada um defende os seus interesses! Aqui o interesse é de todos os portugueses e da sua saúde.
“The govern did not do well in a pandemic time”, sempre a governar à tona e estamos afundados.
Esta é a realidade, lamento ter que o dizer para mal de todos nós.
Este governo, com a conivência de Marcelo Rebelo de Sousa, acreditou no Pai Natal e vejam a prenda que o Pai Natal nos reservou para 2021.

*Biólogo, fundador do Clube
dos Pensadores

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