PSD, PS, CDU e BE acusaram hoje a Câmara do Porto de falhar na preservação do valor patrimonial do Centro Histórico, classificado pela UNESCO desde 1996, depois de o ICOMOS o ter identificado como património em perigo.
Num relatório recente, o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS, na sigla em inglês), organismo consultivo da UNESCO, identifica risco num total de 14 obras ou projetos em andamento ou realizados na área do centro histórico do Porto, entre os quais o projeto da Time Out para a ala sul da Estação de São Bento, que implica a demolição do corredor sul para construção de restaurante panorâmico.
O presidente da Distrital do PSD, Alberto Machado, disse estar de acordo com a avaliação daquela entidade que, há cerca de dois anos, tinha já reportado e documentado “diversas ameaças”, com base nas observações efetuadas no local, “todas caracterizadas pelo fachadismo”, como refere o relatório de 2020 agora divulgado.
Para Alberto Machado, a autarquia “deve fazer, do ponto de vista do exercício das suas competências legais e na interlocução com o Ministério das Infraestruturas e da Habitação, para que seja preservado este monumento [Estação de São Bento]”.
Já os vereadores do PS na Câmara do porto acusam a autarquia de falhar “numa estratégia de gestão transparente e participada” e de facilitar “por ação e por omissão, a monocultura do turismo, a expulsão dos moradores e a requalificação feita sem respeito adequado pelos valores patrimoniais”.
Também o PS/Porto observa que “os problemas de preservação patrimonial do centro histórico do Porto vão, infelizmente, muito para além da questão da Estação de S. Bento”.
Os socialistas salientam, contudo, que neste último caso, “o projeto do arquiteto Eduardo Souto Moura parece garantir a preservação dos valores patrimoniais”.
Também por escrito, a CDU lembra que, desde o primeiro momento, manifestou um “profundo descontentamento com o modelo de remodelação da Estação de São Bento pela Infraestruturas de Portugal [proprietária do imóvel]”.
A CDU sublinha que, já em 2017, tinha alertado para “a importância de travar um processo que não podia ser desligado da perigosa dinâmica especulativa” nem do risco para o património arquitetónico, mas também o próprio uso do espaço ao serviço da mobilidade.
Para a CDU, o modelo que é apresentado tem “única e exclusivamente” uma “lógica economicista e não numa lógica de preservação e valorização do património cultural”, como defendeu a vereadora da CDU na Câmara do Porto, Ilda Figueiredo.
A Concelhia do Porto do Bloco de Esquerda (BE) refere que “a passagem do Centro Histórico do Porto para a lista do “património mundial em risco” é uma prenda amarga pelos quase 25 anos de classificação pela UNESCO”, vindo confirmar “os alertas lançados nos últimos anos pelo partido e outras entidades ligadas ao património.
De acordo com o BE, ainda é possível salvar o Centro Histórico do Porto, sendo que “o primeiro passo é retirar à SRU Porto Vivo (que desde a sua criação em 2004 deu sempre mais atenção ao negócio imobiliário que à reabilitação urbana) a sua gestão, passando a gestão integrada do Centro Histórico do Porto para a Câmara Municipal, voltando a criar-se o Departamento Municipal do Centro Histórico, extinto em 2006”.
O partido considera que a medida “mais decisiva é afastar do Centro Histórico do Porto “a mão invisível do mercado”.
Na sexta-feira, numa primeira reação ao relatório, a Câmara do Porto disse discordar das suas conclusões, afirmando que estas resultam da sua “profunda ignorância sobre o património” da cidade.

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