“Se tiver que haver requisição civil, haverá”.

Marcelo Rebelo de Sousa avisou hoje, no debate das rádios, que a capacidade dos hospitais privados para lidar com a atual crise sanitária não chega para resolver o problema. Mas admite: “se tiver de haver requisição civil, haverá”.
“Em março, abril e maio tínhamos um estado de emergência com as fronteiras fechadas. As exportações pararam. Agora é diferente: as fronteiras estão abertas; as exportações aumentaram”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, sublinhando “um contexto mais complicado”, com mais atividades abertas.
O presidente da República e recandidato apontou ainda para o facto de as estruturas residenciais para idosos não terem vivido as crises atuais na altura do primeiro confinamento.
Marcelo considerou ainda que o governo não previu a terceira vaga da pandemia de covid-19 e afirmou que, se for necessário, será utilizada a requisição civil de meios de saúde privados.
“Eu diria que houve, por um lado, a não antevisão da terceira vaga no tempo propriamente dito, a concentração no caso da grande Lisboa, e houve a sensação de que não iam ser necessários tantos recursos privados e sociais quanto aquilo que acabou por ser necessário a partir, sobretudo, do crescimento dos casos em dezembro e em janeiro”, afirmou o chefe de Estado.
Marcelo Rebelo de Sousa participou hoje num debate radiofónico entre seis candidatos a Presidente da República (sem André Ventura, que recusou participar), que será o último antes das eleições do próximo domingo.
O Presidente da República antecipou um agravamento da pandemia em Portugal, indicando que se prevê, “para sexta-feira desta semana, qualquer coisa como 700 a 800 internados em cuidados intensivos, ao ritmo de 10, 11, 12, 13 mil casos por dia, e cerca de cinco mil, entre 4.800 e cinco mil internados”.
O chefe de Estado referiu que, para dar resposta a este cenário, vai abrir “mais uma unidade de recuo” em Lisboa, junto ao Hospital Santa Maria, que “vão abrir reforços dentro do Serviço Nacional de Saúde em termos de camas”, apesar das “dificuldades” em atribuir profissionais de saúde a essas camas, e indicou que os hospitais militares ainda têm capacidade para ajudar.
Sobre o papel dos privados, o Presidente da República defendeu que têm a capacidade “neste momento perto do limite”, mas adiantou que, “de qualquer modo, tem-se estado a ver que acordos é possível celebrar”.
“Não houve até agora a necessidade de requisição civil, se tiver que ser utilizada, é utilizada”, garantiu Marcelo Rebelo de Sousa.

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