A Comissão Nacional da Unesco (CNU) alerta para os riscos do impato da construção de um empreendimento de seis pisos e 180 quartos.
O projeto de um hotel do empresário Mário Ferreira, dono da TVI, vai colocar a paisagem do Douro vinhateiro na lista dos bens classificados em perigo, “abrindo caminho para uma futura exclusão da lista de património mundial”.
A Comissão Nacional da Unesco (CNU) considera que aprovação de um hotel de cinco estrelas no lugar da Rede, concelho de Mesão Frio, é um fator que pode levar a retirada daquela região das que merecem estar na categoria de património mundial.
O ofício com que o embaixador José Moraes Cabral, que preside à CNU, fala do hotel de 180 quartos, como um projecto “fora de escala e significativamente dissonante com a paisagem do Alto Douro Vinhateiro”.
“A intervenção proposta afecta directamente os critérios que serviram de base à conscrição do bem na lista, [pelo que] recomendo que o Estado Parte não conceda a licença ao empreendimento. Também se insta que o Estado Parte se restrinja às recomendações apresentadas na revisão técnica do ICOMOS no que respeita aos projectos futuros”, refere o embaixador Moraes Cabral, na nota publicada pelo Público.
O processo de licenciamento deste projecto começou há já 22 anos, já foi recusado por duas vezes, a última das quais em Abril de 2018. O projeto prevê que num terreno com cerca de 23.100 metros quadrados possa surgir um hotel com uma cércea de 18 metros (seis pisos, dois dos quais abaixo da cota soleira), e que possibilita a construção de um campo de golfe na envolvente.

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