OPINIÃO
Por Joaquim Jorge*

O Estado quer obrigar os portugueses a usar a app StayAway Covid.
Eu não faço intenções de utilizar essa aplicação, mesmo que seja obrigado invoco a Constituição Portuguesa o seu artigo 21.º – direito de resistência: tenho o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os meus direitos, liberdades e garantias.
A minha privacidade não tem preço e é inviolável. Como diz Pacheco Pereira esta app é semelhante à colocação de um chip num cão.
As pessoas agarram-se a tudo neste momento de pandemia. Só para sentirem uma falsa segurança cedem nos seus mais elementares direitos. Uma app é uma aplicação que visa facilitar uma tarefa, neste caso, verificar se uma pessoa está infectada e alertar as autoridades.
O meio não justifica o fim, a minha vida privada é inviolável. Ponto! Evidentemente que terei todos os cuidados sanitários exigidos e mais alguns. Agora saberem que doença tenho, onde estou com quem estou e o que estou a fazer. Santa paciência! Isso não.
Tudo tem um limite. Numa democracia há o direito à intimidade pessoal e à privacidade familiar.
Eu tenho a noção do alcance desta pandemia, mas eu vivo numa democracia não numa oligarquia tecnológica. Os meus dados pessoais não podem ser utilizados para outros fins. Eu tenho na memória a influência dos dados pessoais, nas eleições EUA e no Brexit.
A democracia já não existe, essa é a ideia. Não podemos ter democracia e Amazon do sr. Bezos e Facebook do sr. Zuckerberg ao mesmo tempo.
Resta pouco da nossa democracia, mas eu não abdico desse pouco. Tenho o dever moral de protestar e me insurgir.
Neste mundo incerto e de perigos crescentes, a liberdade pouco interessa, mas sim a segurança, e não precisamente pelo poder, mas pelo isolamento, controlo e tecnologia.
Todavia eu considero-me um rebelde anti- StayAway Covid.

*Biólogo, fundador do Clube dos Pensadores e Matosinhos Independente

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