Depois das declarações polémicas do ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, sobre as quatro rotas do Porto que dariam prejuízo à empresa, o presidente da autarquia local, Rui Moreira, não se remeteu ao silêncio e tornou pública a sua opinião, numa entrevista, este sábado, à TVI e numa crónica do semanário Expresso, que assinou.
Em entrevista ao jornalista, e agora diretor de informação da TVI Porto, João Fernando Ramos, Rui Moreira afirmou: “O senhor ministro disse que os voos que a TAP está a fazer no Porto, neste momento, têm 47% taxa de ocupação e não cobrem os custos variáveis, portanto dão prejuízo”, lembrando que alguns voos em Lisboa, têm apenas 15% de taxa de ocupação. “Não pagam os custos variáveis. Ficamos sem perceber porque é que a TAP, então, em Lisboa não ganha dinheiro”, comentou.
De acordo com o autarca, é “sepulcral” o silêncio do Presidente da República e do primeiro-ministro sobre a TAP, criticando o “claro desinvestimento da empresa no Aeroporto Francisco Sá Carneiro”. “Quando se avalia o interesse estratégico da TAP para Portugal, considera-se que o interesse estratégico para Lisboa é óbvio e indiscutível. Quando se olha ao resto do país, analisa-se a TAP como se fosse uma empresa privada, por arbítrio que, se quisermos, seria razoável do ponto de vista do conceito privado, uma análise custo-benefício”.
Uma avaliação, que na opinião de Moreira, “não é razoável”, uma vez que o Estado optou pela renacionalização da empresa.  
Assim, o presidente da Câmara Municipal do Porto acredita que a solução para suprir uma falha que a TAP não cobre estará na “consulta ao mercado da aviação comercial”, com “sucesso garantido”, bastando, para o efeito, “olhar para o panorama atual”. “No terceiro trimestre deste ano, a companhia área que transportou mais passageiros para o Aeroporto Francisco Sá Carneiro foi a Lufthansa. Não foi a TAP. A Lufthansa não nos custa um tostão. Pergunto? Porque é que a TAP é diferente? Se é para ser uma companhia de bandeira, ao menos que seja competitiva com a Lufthansa. E nem me venham falar em condições salariais. Tenho a certeza absoluta que os pilotos da Lufthansa ganham mais que os pilotos da TAP e que o pessoal de cabine também ganha mais”, sustentou, de acordo com uma nota divulgada no portal de notícias do município.
“Há de haver, portanto, alguma razão pela qual a TAP é gerida de uma forma centralista, e por que tem uma obsessão. Essa obsessão pode interessar a Lisboa, que é respeitável, ao resto do país não interessa, ao Porto seguramente não interessa”, continuou, alertando que, por essa razão, não é possível dizer que “a TAP é do povo para o bem e para o mal”, quando “só interessa ao povo de Lisboa”.

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