Foi o primeiro artista a fazer um concerto em formato drive in, no pós confinamento, e tem sido uma voz ativa em defesa da cultura e da classe artística, agora e sempre. Pedro Abrunhosa defende que os músicos têm “que dar um sinal claro de liderança” e por isso, argumenta, não podem depender do poder político. Já o acordo para ficar com 2% da Media Capital, dona da TVI, conta, é “um mero investimento”. Dia 4 de outubro, em São Domingos de Benfica, encerra o ciclo de concertos “Lisboa ao Palco”.
Pedro Abrunhosa disse recentemente que “este não é o tempo para entregar o nosso descontentamento ao conforto aparente da vida digital ou à negação plena da vida física”. Qual é a importância de voltar aos palcos e de fazer disso bandeira?
[Essa] é uma postura humana. Claro que é também uma postura artística… Mas é, sobretudo, um sinal de que há que enfrentar esta crise com dignidade. E essa dignidade é transversal a toda a economia. Dentro das possibilidades, dentro daquilo que nos é possível fazer, sanitariamente, não colocando em risco a saúde pública — porque nós, músicos de palco, temos noção de que a nossa atividade ao vivo só existe se existir multidão. Feita esta ressalva, desde que haja condições para que essa “multidão” esteja segura, nós, músicos, temos que dar um sinal claro de liderança à própria economia, porque é também disso que se trata.
É um ato de, se quiser, viver frontalmente neste tempo, porque viver num tempo de pandemia não é viver a sucumbir à pandemia. É viver com a pandemia, a instabilidade. É como viver com um terramoto, um furacão. Mas não necessariamente viver dentro da caverna, e dentro do bunker. Não. É enfrentar este desafio da natureza, porque é disso que se trata, com a dignidade do homem, que é ir à luta.
Já fiz um pouco de tudo… Comecei por fazer concertos online — e fiz bastantes, até. [Desde] concertos privados, no sentido corporate, com uma série de entidades (o Theatro Circo, o Montepio…) [às] transmissões pessoais, a partir do meu estúdio. Depois, o drive-in. Fiz o primeiro concerto deste estilo em Portugal. E o meu primeiro concerto de desconfinamento foi em Ovar — era o sítio mais flagelado pela pandemia e foi simbólico tê-lo escolhido”, refere Pedro Abrunhosa.

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