O presidente da Câmara do Porto anunciou, na Rádio Estação, que a Feira do Livro do Porto do próximo ano vai celebrar a vida e obra do escritor portuense do século XIX Júlio Dinis. O momento serviu também para o autarca, juntamente com o coordenador programático desta edição da Feira do Livro do Porto, Nuno Faria, fazer um pré-balanço desta edição, erguida num ano absolutamente excecional.
Rui Moreira não conseguiu conter a novidade, instado por Nuno Faria, também diretor do Museu da Cidade.
“Depois de ter pensado no assunto, e de ter ouvido algumas pessoas, tu foste [Nuno Faria] uma das pessoas que ouvi, e também o Guilherme Blanc [diretor de cinema e arte contemporânea da empresa municipal Ágora – Cultura e Desporto do Porto], quero que a próxima Feira do Livro seja dedicada a um escritor que, ainda que não seja completamente esquecido, é um escritor cujo mérito carece de reconhecimento, que é Júlio Dinis”, revelou o autarca esta tarde, na rubrica “Escrita Escuta” da Rádio Estação, propositadamente criada no âmbito da Feira do Livro do Porto 2020.
A escolha surgiu por várias ordens de razão, detalhou. “Em primeiro lugar porque acho que Júlio Dinis é um escritor muito mal compreendido, é um escritor mal lido e é um escritor que tem uma enorme ligação ao Romantismo”, período da história que, defende, teve na cidade do Porto “um papel muito importante”.
“Júlio Dinis é um escritor maravilhoso, que temos de lançar novamente (?). Acho que pode abrir de facto caminho a uma Feira do Livro mais uma vez surpreendente, de um escritor que precisa dessa (re)descoberta”, considerou Rui Moreira, afiançando que o trabalho da próxima edição começa “já partir de amanhã, exatamente porque não iremos pelo caminho mais previsível e mais fácil”.

100 mil visitantes na edição da Feira do Livro do Porto 2020

Embora o balanço final ainda não esteja efetivamente fechado, o presidente da Câmara do Porto apontou que “teremos qualquer coisa como 100 mil visitantes no fim do dia de hoje [domingo], o que é extraordinário na circunstância atual”.
A inevitabilidade da conversa tocar neste ponto não foi escamoteada. Logo no introito, Nuno Faria questionava o interlocutor sobre a forma como o autarca viveu estes últimos meses, que classificou de “meses de grande hesitação”.
Rui Moreira confidenciou que a organização do certame nunca esteve em causa. “Definimos este horizonte, apontamos para lá a bússola e felizmente conseguimos fazê-lo”, regozijou-se. Recordando que o Porto foi um dos primeiros municípios a encerrar as atividades culturais com contacto social devido à pandemia, o presidente da Câmara estabeleceu, já nessa altura, “objetivos e uma ambição”. Ambição essa que passava pelo “regresso à atividade cultural e ao contacto social com a Feira do Livro”, referiu.
“Fizemo-lo pesando e sopesando um conjunto de circunstâncias. Em primeiro lugar, sabemos que ela decorre num espaço público, mas apesar disso é um espaço vedado, com condições para garantir o controlo do número de visitantes. Ao mesmo tempo, a Feira do Livro tem uma característica diferente de qualquer outro programa cultural da Câmara, porque é mais transversal, temos música, poesia, leitura, mas temos também a atividade comercial ligada ao livro. Pressentíamos já na altura que iria ser um setor muito fortemente afetado”, continuou, sublinhando que neste processo os expositores depositaram “total confiança” no Município.
Os resultados, congratulou-se Rui Moreira, estão há vista. “Acho que foi a vez em que a Feira foi melhor promovida, porque também não podia falhar. E também a própria magia do espaço ajudou. Não é um espaço ignoto”.
Nuno Faria, que pela primeira vez assumiu a responsabilidade de programar o festival literário, acompanhou o autarca. “É de facto um espaço e um evento muito especial, porque transversal e bastante inclusivo, que procura a pequena escala também. É um evento em que os livreiros se sentem bem-vindos”.

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