República Dominicana, Cascais, Marrocos? Rei emérito de Espanha “está onde não o encontrem” (e só cinco pessoas saberão do seu paradeiro).

Quando a decisão de abandonar Espanha foi tornada pública, o rei emérito já estaria fora do país. Há quem garanta que está na República Dominicana, outros que se exilou em Cascais. Ninguém confirma.
Quando, esta segunda-feira, foi tornada pública a carta que escreveu ao filho, a anunciar a decisão de abandonar Espanha, o rei emérito Juan Carlos já estaria fora do país há pelo menos 24 horas. Daí até começar a especulação foi um instante: que país (ou cidade) terá escolhido o pai do Rei Filipe VI para passar os últimos anos da sua vida (como confidenciou um amigo íntimo do ex-governante ao El Español, “exílio é uma palavra tabu”)?
São várias as hipóteses avançadas pela imprensa, espanhola e não só — a TVI, logo esta segunda-feira à noite, garantia que Juan Carlos estava novamente exilado no Estoril, onde passou parte da infância e início da vida adulta, informação que o Observador, depois de vários contactos, incluindo com o presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, não conseguiu confirmar —, mas o paradeiro do rei emérito permanece desconhecido.
Está onde não o encontrem. Tudo está atado e bem atado”, assegurou ao El Español fonte “muito próxima” do Palácio da Zarzuela, parafraseando o discurso com que, em 1969, pelo Natal, Franco anunciou à nação que Juan Carlos seria o seu sucessor à frente dos destinos do país.
Só cinco pessoas saberão onde está o rei emérito espanhol: o seu filho, o Rei Filipe VI; o primeiro-ministro, Pedro Sánchez; Félix Sanz Roldán, ex-líder do CNI, o Centro Nacional de Inteligência, e amigo do rei emérito; o seu advogado Javier Sánchez Junco; e Jaime Alfonsín, chefe da Casa Real Espanhola e braço direito do Rei.
O que não invalida que se vão aventando hipóteses sobre o seu paradeiro — o jornal ABC, por exemplo, garante esta terça-feira que Juan Carlos, que está a ser investigado por corrupção e branqueamento de capitais, já aterrou em Santo Domingo, capital da República Dominicana, onde terá chegado depois de apanhar um voo no Porto, no passado fim de semana.
Já o jornalista Edu Aguirre, conhecido por ter sido, durante a passagem do português pelo Real Madrid, uma espécie de “sombra” de Cristiano Ronaldo, avançou esta segunda-feira à noite, no programa “El Chiringuito de Jugones”, que o futuro de Juan Carlos poderá passar pelos Emirados Árabes Unidos.
Ele quer desaparecer. É tudo o que ele quer e procura. Paz, sossego e descanso. Penso que não estou errado se vos assegurar que nenhum amigo sabe, por enquanto, onde ele está”, disse ao El Español um “amigo íntimo” do rei emérito.
Não obstante, o jornal também compilou uma série de cinco possíveis redutos seguros, onde Juan Carlos poderá querer instalar-se — e Portugal não faz parte da lista. Um dos destinos, Miami, estará riscado à partida, dadas as limitações impostas à entrada de espanhóis em território americano, por causa da pandemia do novo coronavírus; a Arábia Saudita, outra das opções, também não deverá ser considerada, ou não estivesse o alegado negócio com o rei Abdalla no centro do escândalo de corrupção que o envolve — no mínimo, a imagem de Juan Carlos, caso a sua localização viesse a tornar-se pública, sairia ainda mais maculada, argumenta o jornal online.
Genebra, na Suíça, Marrocos e República Dominicana serão por isso as três opções mais tangíveis, defende o El Español, com base nos palpites de quem conhece Juan Carlos e no seu passado. A primeira cidade, sede das suas fundações, é pacata e discreta, um sítio onde “ninguém se mete na vida de ninguém”; a proximidade do rei emérito com o monarca Mohammed VI poderá fazer com que Marrocos seja um destino a considerar; e a amizade que mantém há décadas com a família Fanjúl, dona de metade dos hotéis e resorts da ilha, dão força à hipótese República Dominicana.
Em junho de 2014, quando abdicou em favor do filho, foi nas Caraíbas, no luxuoso resort Casa de Campo, em La Romana, no sudoeste da República Dominicana, a meio caminho entre a capital e o Parque Nacional Cotubanamá, que Juan Carlos se refugiou.

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