OPINIÃO

Por Gustavo Pires*

Quando, no mais completo desprezo pelas novas gerações, aquelas que os poderes instituídos gostam de dizer que é a mais bem preparada de sempre, assistimos à nomeação para o exercício de funções públicas de septuagenários que, há vários anos aposentados, desistiram do “dolce far niente” onde estavam porque já não queriam trabalhar mais e, por via dos favores partidários, voltaram por nomeação ao serviço público só porque lhes cheirou a poder, temos de convir que alguma coisa está podre no reino de Portugal. E quando se olha para os nomeados e se espera ver gente de alto gabarito e superior craveira intelectual constatamos que se trata de gente que se limitou a viver à conta dos favores dos respetivos partidos, a saltitar de poleiro em poleiro e a deixar rastos de desolação nos lugares por onde passou.
Este país não é para gente nova que, para além de tudo o mais, nos tempos de crise pandémica que se vivem, em matéria de emprego é a que está a ser mais castigada. Este país não é para gente nova que, sem família política, sem cunhas, favores de circunstâncias e sem acesso aos mais escandalosos nepotismos, é obrigada a emigrar porque, entre outros constrangimentos que o poder lhes coloca na vida, ainda acaba por ser preterida por septuagenários mais ou menos  alzheimariados, nomeados não por alguma competência especial ou conhecimento científico específico mas, simplesmente, por fidelidade canina ao partido do poder. Definitivamente este país não é para gente nova.

*Professor jubilado da Faculdade de Motricidade Humana

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