Situado no cruzamento da Rua do Rosário com a Rua de Dom Manuel II, junto ao Museu Soares dos Reis e ao Hospital de Santo António, o edifício que albergou um dos mais luxuosos hotéis do Porto no século XIX, o Hotel do Louvre, vai agora ser recuperado.

Os serviços de Urbanismo da Câmara do Porto já aprovaram a intervenção que vai dotar o edifício de espaços para comércio, serviços e habitação, avança o portal da autarquia.
A reabilitação será feita pela FL – Engenharia e Construção, “sem alterar o conceito do edifício, preservando as suas características e traça existentes”. A obra terá a duração de 12 meses.
Neste imóvel histórico já funcionou um hotel de luxo, o Hotel do Louvre, onde estiveram alojados imperadores.
Segundo o historiador Germano Silva, o Hotel do Louvre foi palco de um dos episódios mais curiosos da história hoteleira da cidade do Porto: em 1872, o imperador do Brasil, D. Pedro II, ficou aqui hospedado com a sua comitiva. “No último dia da hospedagem a hoteleira apresentou a conta a Nicolau António do Vale da Gama, mordomo da casa real brasileira. Totalizava 4.500$00 reis. Submetida à aprovação do imperador este ordenou ao seu mordomo que não pagasse a fatura por achar exagerada a quantia pedida. Mais, incumbiu Manuel José Rebelo, ao cônsul do Brasil no Porto, de apresentar uma queixa em tribunal contra a dona do hotel que acusou de especulação indevida”, conta Germano Silva, numa crónica publicada em 2016 na revista Visão.
O tribunal acabaria por dar razão ao hotel portuense. No entanto, a situação foi resolvida não pelo imperador mas por “dois portugueses endinheirados que residiam no Rio”, que tomaram a iniciativa de saldar a dívida.
Ao longo do século XX, o edifício serviu de sede a várias instituições da cidade, como o Orfeão Lusitano, o Sport Comércio e Salgueiros, o Cineclube do Porto e o Movimento de Unidade Democrática. Mais recentemente, albergou a Escola de Condução “A Desportiva”, “até cair numa situação de abandono que durava há vários anos”.

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