Os bombeiros da corporação de Paços de Ferreira dizem ter comunicado à GNR que o presidente da Câmara local, Humberto Brito, “desrespeitou o isolamento profilático de 14 dias a que estava obrigado” após ter declarado que testou positivo para covid-19.

Confrontado com relatos de fontes dos bombeiros, o comandante da corporação, Pereira da Costa, confirmou as informações, nada acrescentando.
Já o presidente da Câmara recusou a alegada violação do dever de confinamento, uma vez que no domingo, dia dos factos em causa, tinha em seu poder um conjunto de testes, com resultado negativo para covid-19, e acusou os bombeiros de o tentarem “denegrir pessoal e politicamente”.
O autarca informou na quarta-feira, dia 08, ter sido um dos cinco casos com covid-19 naquela autarquia, detetados no âmbito dos testes realizados a todos os colaboradores daquele município do distrito do Porto. Humberto Brito usou a sua página pessoal na rede social Facebook para informar os munícipes.
Já no domingo, uma equipa de saúde dos Bombeiros de Paços de Ferreira foi chamada a casa do pai de Humberto Brito, encontrando ali o autarca.
No mesmo dia, Humberto Brito foi visto no Hospital Padre Américo, em Penafiel, afirmam as fontes, que asseguram terem comunicado os factos à GNR local.
“Os bombeiros que testemunharam os factos ficaram espantados por ser do conhecimento público que o autarca estava infetado e que, como mandam os procedimentos, devia estar em confinamento profilático durante 14 dias. Ou seja, até ao dia 21 [próxima terça-feira]”, afirmaram as fontes.
“Tínhamos que reportar a situação a quem de direito, sob pena de estarmos encobrir um crime”, acrescentaram.
De acordo com as informações fornecidas à agência Lusa, os próprios bombeiros confrontaram o autarca, em casa do pai, com o facto de não estar a cumprir quarentena, que lhes terá exibido resultados de dois outros testes, que terão dado negativo.
Mesmo assim, tem de manter o prazo de isolamento de 14 dias. Não há volta a dar. Para mais tratando-se do responsável máximo da Proteção Civil no concelho”, sublinharam as fontes.
Já o autarca visado entende que “não houve nenhum desrespeito pelas normas de confinamento que se impõem a quem testa positivo”.
“No meu caso, os dados provam que provavelmente nunca tive contacto com a covid-19. Posso afirmar que depois de um conjunto de testos que realizei, os mesmos vieram todos negativos”, acrescentou, explicando que se se predispunha, caso o corpo de bombeiros quisesse, a explicar “convenientemente toda a situação” em que se encontra.
Ao invés – considerou – tentarem “denegrir pessoal e politicamente” o presidente da Câmara. “Tiveram uma atitude persecutória e partidariamente instrumentalizada com os finais de denegrir pessoal e politicamente a minha pessoa”, assinalou o autarca eleito pelo PS.
“Mais lamento a atitude dos bombeiros tenha ocorrido no dia que sabiam que o meu pai teve um enfarte de miocárdio e foi internado de urgência nos Cuidados Intensivos de Cardiologia do Hospital Padre Américo, com prognóstico reservado, desconsiderando todo o sentido humanitário”, acrescentou.
O posto da GNR remeteu esclarecimentos sobre o caso para o Comando Territorial no Porto, que vai tentar averiguar a situação.

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