“O barco rabelo é símbolo da força e do sacrifício dos homens, numa época em que a navegação feita pela barra do rio Douro era uma verdadeira odisseia” , argumenta a autarquia da Régua.

A Câmara do Peso da Régua e a Confraria dos Vinhos do Douro vão dar início à candidatura para classificação do barco rabelo como Património Mundial da Humanidade.
“A importância deste reconhecimento prende-se com a relação histórica com o rio Douro, a região, Peso da Régua, enquanto capital histórica da primeira região demarcada e regulamentada do Mundo, com a formação e desenvolvimento do território e das suas gentes”, explica a autarquia reguense.
As típicas embarcações fluviais do rio Douro que transportavam as pipas do vinho do Porto, desde as vinhas do Alto Douro até Vila Nova de Gaia, onde o vinho era armazenado para posterior comercialização simbolizam a “força e o sacrifício dos homens, numa época em que a navegação feita pela barra do rio Douro era uma verdadeira odisseia”.
Para os promotores da candidatura, “o rio que nos levou ao mundo, que traz o mundo até nós” continua a ser a mais bela expressão da grandeza daquele território.
O rabelo era o tipo de barco apropriado para navegar em águas pouco profundas, com excelente desempenho nas zonas de fortes rápidos. As características de construção da embarcação reportam-nos para a época dos Vikings, derivando o nome rabelo da configuração do barco, com a sua imensa espadela, em forma de rabo.
A embarcação era um barco de rio de montanha, com fundo chato, tendo como leme uma peça comprida e grossa em forma de pá ou remo, quase do seu tamanho, a que se dava o nome de espadela.
“Na saga dos rabelos merecem destaque pela coragem e determinação com que se entregaram ao rio Douro, o arrais, o feitor da espadela, o feitor da proa, o moço, os cabresteiros, o vinhateiro e o ponteador, uma tripulação constituída por 11 a 16 homens. É esta força que também pretendemos homenagear”, assinala autarquia.
Na sua era de glória, nos séculos XVIII e XIX, chegou a haver 2500 rabelos a cruzar o Douro. A última navegação comercial de rabelos terá acontecido em 1964, embora haja quem afirme que terá sido em 1965.
“Esperamos que a UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura possa, uma vez mais, distinguir o Douro com a atribuição do mais alto galardão, que reconhecerá perante o mundo, a importância daquilo que nos distingue como povo e como território”, conclui a autarquia.

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