Eugénio Fonseca diz que o programa de estabilização económica do Governo é um bom sinal, mas teme que a burocracia a impeça de funcionar bem.
O impacto da crise causada pela Covid-19 atinge também a Cáritas Portuguesa, que se viu privada dos contributos pelo avançar da crise sanitária.
O presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, reconhece dificuldades, colmatadas por um trabalho coordenado entre várias entidades e que permite a garantir que de que ninguém fica sem resposta.
“Nós estamos sem os meios financeiros suficientes para podermos valer a necessidades que vão para além da alimentação. Porque há muitas outras, estou a pensar nas propinas que é preciso pagar, estou muito preocupado com isso”, diz.
Apesar das dificuldades, o dirigente diz que a política da organização é não deixar ninguém sem resposta.
“Já não tem recursos para responder a todos os que a procuram, agora a Cáritas não pode – não deve – mandar ninguém para trás. Deve, com as pessoas e com outros parceiros, encontrar respostas para as necessidades que as pessoas têm, porque estamos a falar de necessidades de subsistência que, se não forem devidamente acauteladas, podem criar problemas de sobrevivência”.
Um dos sinais da crise manifesta-se no aumento de pedidos de ajuda que as diferentes Cáritas têm recebido.
“Pelos dados que nos vão chegando, há Cáritas que viram duplicar os atendimentos de proximidade que já faziam, outras não duplicaram, mas chegaram aos 40%, 35%, e nós apontamos para uma média de uma subida de 40%, relativamente ao número de atendimentos do ano anterior”, explica Eugénio Fonseca, acrescentando que em números reais isto representa “à volta de 54 mil pessoas”.
“Eu fico a aguardar por um programa, ainda para além dessas medidas, que venha a ser completado por outras. Considero que estas são importantes, agora o problema é a execução e, como digo, um dos entraves é a burocracia que se coloca”, avisa Eugénio Fonseca.

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