Ainda não há um número fechado, mas as estimativas dos dois lados da negociação apontam para um número desta ordem de grandeza. De que forma, será injetado este dinheiro é outra das dúvidas que ainda não tem resposta final.
Depois do tom aguerrido do ministro Pedro Nuno Santos no Parlamento, “o espírito é agora mais positivo”, relata fonte próxima das negociações à TSF. Nas últimas duas semanas, Estado e acionistas privados da TAP estiveram sentados à mesa à procura de uma solução que permita salvar a companhia aérea da crise para onde a pandemia do novo coronavírus a atirou. Depois das primeiras reuniões, que serviram sobretudo para pedir elementos, esta semana decorreram novas reuniões entre o Estado e a Comissão Executiva e o ambiente parece agora mais pacificado.
A segunda grande questão prende-se com a forma como este dinheiro pode vir a ser injetado na TAP. Afastado, para já, parece estar um aumento de capital em parcelas iguais entre os acionistas privados e o Estado, a única solução que não carecia de aprovação de Bruxelas. Ao que a TSF apurou, nem David Neeleman nem Humberto Pedrosa demonstraram até ao momento qualquer disponibilidade para o fazerem. E, assim sendo, restam três opções: um apoio temporário, que é essencialmente dívida privada com garantias do estado até 90%. A chamada compensação de danos – onde o Estado pode garantir até 100% -, ou um apoio de emergência que implica necessariamente uma reestruração da empresa.
Ao que a TSF apurou o cenário que mais agrada aos acionistas privados é o da compensação de danos. Mas esta é, precisamente, uma das discussões que ainda não está fechada. Para Bruxelas seguiram um conjunto de perguntas que pretendem clarificar cada um dos cenários possíveis, sobretudo aqueles que fazem depender as ajudas de Estado de uma reestruturação da empresa. Em que moldes, com que consequências são dúvidas que precisam de resposta para que possa ser tomada uma decisão final.
Independentemente do cenário escolhido – um empréstimo público ou um empréstimo privado garantido pelo Estado -, em caso de incumprimento por parte da TAP, esses empréstimos devem converter-se em ações do Estado. Afastados, para já, parecem estar os cenários de uma nacionalização ou mesmo o da insolvência, enunciado pelo ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, esta semana no Parlamento.
O problema é que o tempo não corre a favor. Com os aviões no chão, a TAP está numa situação financeira muito difícil e os alarmes só ainda não começaram a tocar porque a empresa tem estado a adiar pagamentos a fornecedores. A solução para salvar a companhia aérea terá que ficar fechada durante o mês de junho, mais cedo do que tarde, caso contrário poderá ser tarde demais.

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