Um robô para fazer desinfeções nos hospitais, um ventilador low cost, um teste de diagnóstico mais rápido e eficaz, ou uma aplicação que avisa os utilizadores caso estejam perto de locais de contágio. Estes são alguns dos projetos liderados por investigadores da Universidade do Porto e contemplados pela linha de financiamento excecional criada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).
Já são conhecidos os 66 vencedores da iniciativa “RESEARCH 4 COVID-19”, a linha de financiamento criada pela FCT para apoiar projetos de I&D capazes de melhorar a resposta dos sistemas de saúde nacionais ao impacto da Covid-19. Destes, 17 são projetos liderados por investigadores da U.Porto.
O apoio corresponde a um investimento global de 1,8 milhões de euros, proveniente de fundos nacionais através do orçamento da FCT. Deste valor, perto de 500 mil euros (466.944) terão como destino os laboratórios da U.Porto, que assegura desta forma mais de um quarto do financiamento total, avança a instituição portuense.
“O facto de o ecossistema de investigação (da Universidade do Porto) ter angariado mas de um quarto dos projetos atribuídos, demonstra a sua grande vitalidade e o seu empenho na tentativa de ajudar a resolver este problema desde a primeira hora”, salienta Pedro Rodrigues, Vice-Reitor da U.Porto com o pelouro da Investigação.
Foram contemplados quatro projetos da Faculdade de Medicina (FMUP), entidade da U.Porto que receberá a maior “fatia” de financiamento – cerca de 120 mil euros -, apenas superada pela Universidade do Minho no “top” das instituições com mais candidaturas aprovadas (quatro contra cinco).
As soluções propostas pela FMUP incluem um projeto para melhorar o tratamento de lesões de tecido cardíaco em doentes com Covid-19; uma ferramenta capaz de prever a evolução da infeção viral no paciente, recorrendo à inteligência artificial; um novo protocolo para melhorar a ventilação não invasiva (VNI) em doentes admitidos nas unidades de cuidados intensivos; e uma escala de risco COVID-19 que promete agilizar as altas hospitalares.
Já o Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3s), com três projetos aprovados, vai receber um financiamento total de 90 mil euros. “O primeiro projeto pretende desenvolver testes de diagnóstico molecular rápidos e muito sensíveis, utilizando técnicas de CRISPER-Cas13a. O segundo pretende determinar o genoma de mais de 250 amostras de vírus com vista a estudar a sua taxa de mutação, assim como determinar qual a sua provável proveniência. E no terceiro projeto pretende-se identificar assinaturas moleculares no plasma dos doentes com SARS-CoV-2, com vista à sua utilização como biomarcadores que possam prever o desenvolvimento da doença”, explicou Claudio Sunkel, diretor do i3S, citado pelo portal de notícias da U.Porto.
Também com três projetos contemplados, num valor próximo dos 90 mil euros, o INESC TEC – Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência ficará responsável, por exemplo, pelo desenvolvimento de um robô – o RADAR – que, através de sensores e lâmpadas ultravioleta, permite a limpeza e desinfeção de espaços em unidades hospitalares. A este junta-se o ventilador de baixo custo e fácil montagem PNEUMA e um novo método de radiografia ao toráx que pode ajudar os médicos na triagem de pacientes com Covid-19.
O Instituto de Saúde Pública da U.Porto (ISPUP) vai receber perto de 70 mil euros de financiamento, com três projetos aprovados: estudo da eficácia de um medicamento usado na terapia da asma como complemento para o tratamento da Covid-19; estudo do impacto da pandemia nos cuidados prestados a doentes oncológicos do IPO-Porto; e identificação das áreas prioritárias para a prevenção e tratamento da COVID-19 em grávidas e recém-nascidos.
Foram dois os projetos aprovados apresentados pela Faculdade de Engenharia (FEUP), correspondentes a 41 mil euros em financiamento. Um foca-se no domínio da Aprendizagem profunda (Deep Learning – DL) e na criação de modelos computacionais que permitam ajudar a estimar a evolução da doença num paciente particular. O outro diz respeito a uma aplicação – a FollowMyHealth – capaz de avisar os utilizadores caso tenham estado ou se aproximem de locais de potencial contágio, e que servirá também para acompanhar pessoas suspeitas de infeção, confirmadas, e em isolamento profilático
Um método mais seguro para realizar doações de sangue em doentes infetados foi o projeto premiado do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS). “Temos a certeza que o contributo dos nossos investigadores nesta área de vai produzir ciência e promover transferência de conhecimento que interferirá de forma muito positiva no tratamento e orientação de condições clínicas ligadas ao COVID-19”, refere Henrique Cyrne Carvalho, diretor do instituto.
O INEGI – Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial foi contemplado com 30 mil euros para desenvolver métodos de prevenção e controlo da Covid-19, com recurso a tecnologias de impressão 3d.
Os projetos agora financiados juntam-se às várias iniciativas que vêm colocando a U.Porto e, em particular, os seus centros de investigação, na linha da frente do combate à pandemia.
“A nossa missão passa também por estar ao serviço da sociedade, especialmente numa altura como esta”, salienta Pedro Rodrigues.
“A nossa comunidade tem demonstrado uma capacidade ímpar na dinamização de iniciativas de combate à COVID-19. Neste contexto, a mobilização do ecossistema de investigação da U.Porto pode ter um impacto significativo na forma como vamos lidar com a pandemia”, remata o Vice-Reitor da U.Porto com o pelouro da Investigação.

Facebook
Twitter
Instagram