O Presidente da República, João Lourenço, reúne hoje, em Luanda, o Conselho da República, no quadro do reforço das medidas de prevenção e contenção da propagação do Covid-19, que no país já infectou três cidadãos nacionais e colocou cerca de 500 pessoas em quarentena institucional e domiciliária.

Ao convocar o seu órgão de consulta, o Chefe de Estado pretende colher a visão dos membros do Conselho da República, em torno das medidas a serem tomadas para travar a propagação da pandemia no país. O Conselho da República é um órgão de consulta do Presidente da República e dele fazem parte o Vice-Presidente da República, os presidentes da Assembleia Nacional, do Tribunal Constitucional, Procurador-geral da República, líderes de partidos políticos com assen-to parlamentar e entidades convidadas.
“A convocação do Conselho da República vem em boa hora, na medida em que há necessidade de se fazer a contenção do Covid-19 no país, que já conta com três casos confirmados em Luanda”, referiu ao Jornal de Angola o líder da CASA -CE, André Mendes de Carvalho, acrescentando que a reunião vem em boa hora na medida em que “temos de agir perante um inimigo comum”. André Mendes de Carvalho defendeu a realização regular de reuniões do Conselho da República, para que o Chefe de Estado saiba junto dos conselheiros sobre o que de facto acontece no país.
Num cenário de incerteza e do desconhecido Corona vírus, André Mendes de Carvalho entende que os países devem orientar-se pels dictames da OMS, como forma de travar a disseminação do vírus.

Medidas e o contexto

Cecília Kitombe, da ADRA, disse que a convocatória vem tarde, mas é assertiva em função da situação em que o mundo e o país se encontram. Defendeu o cumprimento escrupuloso das medidas de prevenção do Covid-2019. “É preciso mobilizar e manter uma organização mais estruturada, pois só deste modo será possível evitar a expansão da pandemia em Angola”, afirmou.
A responsável da ADRA disse esperar que a auscultação aos membros do Conselho da República seja capaz de gerar uma discussão exaustiva e holística sobre a real situação epidemiológica do país. “O que significaria para o angolano ficar confinado, sem exercer nenhuma actividade económica, ou as zungueiras ficarem em casa num país onde o nível da actividade económica informal abeira-se dos 80 por cento?”, questionou Cecília Kitombe.
Katombe levanta questões concretas de como as pessoas poderão fazer num cenário em que falta água corrente nos bairros, défice tecnológico gritante para rastrear as pessoas, e de que forma serão rastreados os casos que não chegarem ao 111. Defendeu, por isso, que o Conselho da República olhe, sobretudo, para questões de prevenção local, abrangente e adaptadas à realidade do país, sugeriu também que se olhe para o orçamento destinado à saúde e sem deixar de parte as questões de índole económica.
“É preciso não esquecer os mais vulneráveis e mobilizar apoios”, concluiu.

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