Eduardo Pires, juiz desembargador do Tribunal da Relação do Porto, pediu escusa do caso dos emails do Benfica por ser um adepto ferrenho do clube desde novo.
O juiz explica, no pedido de escusa, que é sócio do Benfica desde os oito anos, tendo recebido a “Águia de ouro” por ser sócio há 50 anos, um “emblema de grande significado para todo o benfiquista”.
Além disso, é titular de um lugar cativo no estádio da Luz, onde vai com regularidade assistir aos jogos, entre os quais, descreve, o Benfica-FC Porto, Benfica-Gil Vicente, Benfica-Olympique Lyonnais, Benfica-Rio Ave, Benfica-Famalicão e Benfica-Desportivo das Aves.
Por fim, o juiz detém também 250 acções do clube. “Adquiridas apenas com o propósito de ajudar o clube aquando da constituição da SAD e da sua entrada em bolsa”, justifica.
“Em suma, apesar da forma absolutamente anónima como frequenta o Estádio da Luz, [o juiz] é um fervoroso adepto do Benfica, vibrando com as suas vitórias e entristecendo-se com os seus insucessos”, conclui.
Apesar de considerar que tinha capacidade de exercer as suas funções com imparcialidade relativamente a este caso o juiz optou, face ao descrito, por pedir escusa do processo, por considerar que o seu clubismo pode levantar suspeitas quanto à sua imparcialidade.
“Há muito tempo a esta parte que o terreno futebolístico tem sido palco de acusações mútuas entre os principais clubes de futebol português, atribuindo-se estes reciprocamente a utilização de influências para conseguirem os seus objectivos, e nessas influências foram incluídas já áreas extra futebol, como sejam a área política e até a área judicial”, nota.
Em causa está o caso em que a SAD do FC Porto e o diretor de comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques, foram condenados a pagar dois milhões de euros por divulgar emails do Benfica.
No processo movido pela SAD do Benfica, que reclamava 17,7 milhões de indemnização, foram condenados a SAD azul e branca e o diretor de comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques, ao pagamento de 523 mil euros por danos patrimoniais emergentes e 1,4 milhões de euros por danos não emergentes, pela divulgação da correspondência.

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