OPINIÃO
Por Joaquim Jorge*

Nesta 2.ª volta nas eleições internas no PSD, sabemos que Rui Rio teve mais votos, mas isso não é situação sine qua non para que já tenha vencido.
A imprevisibilidade é enorme e as atenções estarão viradas para este sábado, para quem é do PSD e os portugueses em geral.
Pinto Luz não é dono dos votos dos seus apoiantes, mas a grande maioria está com Luís Montenegro.
Vença quem vencer o PSD vai ficar partido ao meio. O vencedor será por uma margem mínima e isso tem consequências no PSD. Antigamente o PSD numa disputa deste género saía reforçado e tonificado, mas não me parece. Os tempos mudaram e as coisas já não são como eram. A questão das quotas mostra o que há de pior num partido democrático que é transversal ao PS, CDS, etc.

Vivemos num sistema em que os partidos acomodam políticos de qualquer cor e ideologia. Há ladrões e honestos, competentes e idiotas, moderados e imprudentes, interesseiros e inteligentes, duros e brandos.
O maior problema do PSD com Rio ou Montenegro é que vai ter muitas dificuldades para voltar a ser poder e isso desmotiva muita gente. O PSD para voltar a ser poder precisa de uma parte do PS mais à direita e isso não é verosímil.
As posições estão extremadas e assim o PSD não vai lá. Em vez de haver clarificação, vai continuar a confusão e indefinição.
O PSD é um partido que vai seguir dentro de momentos e muita gente já não sente, não se identifica, e o mais grave, não acredita no PSD. A sua importância esfuma-se e tende para a irrelevância.
O PSD depois da morte de Sá Carneiro vive em constante Sebastianismo e Pedro Passos Coelho encarna na perfeição D. Sebastião, “O Desejado”, mas não está disponível tendo em conta a sua vida familiar.
A tudo isto assiste António Costa com a sua bonomia, sorriso sarcástico e felicidade interior.

*Biólogo, fundador do antigo Clube dos Pensadores e fundador do Matosinhos Independente

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