OPINIÃO
Por Gustavo Pires*

A passada semana terminou sob o signo da morte. O piloto português Paulo Gonçalves morreu na sequência de uma queda no Dakar. Como referiu Bernard Jeu no seu livro Le Sport, la Mort, la Violence, o desporto é um jogo de violência regulamentada que termina na morte. Umas vezes figurada na derrota desportiva e outras na derrota que é a realidade da própria morte da vida. Quer dizer, na competição que é a vida a derrota é o resultado fatal.
Segundo Pierre de Coubertin o desporto é “o culto habitual e voluntário do exercício muscular intenso que, com base no desejo de superação, é capaz de ir até ao risco”. E, assim, o verdadeiro espírito desportivo cultiva a alegria do desafio e o gosto pelo risco envolvidos num ideal altruísta de desinteresse que se expressa no fair play. Por isso, na ideia de Coubertin, para além do lazer ou do rendimento, do amadorismo ou do profissionalismo, o que realmente interessa é a paixão de cada um pela prática desportiva.
Os gregos antigos quando alguém morria não queriam saber se ele era rico ou pobre, feio ou bonito, forte ou fraco. O que eles queriam saber era se o defunto tinha vivido com paixão.
Paulo Gonçalves viveu com paixão. Ele hoje está certamente na presença dos deuses.

*Professor jubilado da Faculdade de Motricidade Humana

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