O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, disse hoje que o Governo pode dar uma “contribuição positiva para a resolução do conflito” na Cervejaria Galiza, no Porto, que está em risco de fechar.

“Estamos nesta fase intermédia de definição do caminho e, neste sentido, tendo em conta esta situação, o Governo pode dar aqui uma contribuição positiva, na exata medida em que haja disponibilidade por parte dos detentores da [Cervejaria] Galiza e isso possa corresponder a uma saída onde todos saiam bem”, afirmou Jerónimo de Sousa, que jantou esta noite no estabelecimento.
Em declarações aos jornalistas, o secretário-geral do PCP, que se mostrou “solidário” para com os funcionários da cervejaria, declarou que, apesar “dificuldades naturais do processo”, a “firmeza” e defesa dos trabalhadores pelos seus direitos é “uma primeira vitória”.
“São 30 postos de trabalho que estão aqui em causa, de muitos que para a sua vida precisam de continuar aqui a trabalhar, não pedem mais do que isso. Querem continuar a trabalhar e ter o seu direito ao trabalho e, por isso mesmo é que, tendo em conta esta marca que é parte intrínseca desta cidade do Porto, [desejo que] possa continuar de portas abertas com uma situação social e laboral resolvida”, salientou.
A Cervejaria Galiza está, desde há quatro anos, em dificuldades, com dívidas aos funcionários, ao fisco e à Segurança Social.
A tentativa de resolver o problema passou pelo recurso a um Processo Especial de Revitalização (PER), aceite pelo Tribunal do Comércio de Vila Nova de Gaia, e pela chegada de um gestor.

Os 31 trabalhadores mantêm-se, desde o dia 11 de novembro, de dia e noite, de forma alternada nas instalações, depois de se terem apercebido, nesse dia, da tentativa da retirada do equipamento pela proprietária da cervejaria.
Quanto à “solidariedade” demonstrada pelos partidos de esquerda, António Ferreira salientou que tal só “vem confirmar (…) que é o PCP e o BE que estão ao lado dos trabalhadores”, adiantando estar à espera de que o presidente da Câmara do Porto, o independente Rui Moreira, visite a cervejaria.
“Dá-me a impressão de que o sr. Rui Moreira está mais preocupado com a questão das lojas de ‘franchising’ no centro da cidade e esqueceu-se de que na Rua do Campo Alegre existe uma casa com história na cidade do Porto”, acrescentou.
Esta tarde decorreu uma reunião “inconclusiva” com a gerência da Cervejaria Galiza, segundo informação do delegado sindical Nuno Coelho. Nova reunião está agendada para segunda-feira.
Fundada em 29 de julho de 1972, a cervejaria detida pela empresa Atividades Hoteleiras da Galiza Portuense é uma das referências do Porto no setor da restauração.

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