OPINIÃO
Por Gustavo Pires*

Não há democracia sem liberdade de expressão. Todavia, o inimaginável está a acontecer. Porque, infelizmente, tudo leva a acreditar que, ao cabo de mais de quarenta anos de Abril, tal qual como na quinta do Orwell, em Portugal, “todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais do que outros”.
Por isso, a pergunta que se impõe é a seguinte: No Partido Socialista liderado por Mário Soares era possível tal aberração?
Claro que não porque, Mário Soares pode ter cometido muitos erros, mas, uma coisa é certa, era um Homem que, antes de qualquer socialismo, lutava, com coragem, pela liberdade e pela democracia. E aqueles que viveram o Verão Quente de Abril sabem-no bem.E lembram-se que foi ele quem afrontou Álvaro Cunhal quando este, num comício do PCP, declarou: “É necessário partir os dentes à reação antes que ela morda”. Pois bem, agora o PS, numa coligação do silêncio com o PCP e o BE, quer partir os dentes ao André Ventura, à Joacine Moreira e ao João Cotrim.
Esteja lá onde estiver, Mário Soares, não deve estar a gostar nada do que se está a passar. Porque atitude da referida coligação do silêncio, para além do desprezo pela liberdade de expressão, revela, antes de tudo, medo, um medo incontrolável que tem origem na covardia.
E porquê? Porque, aqueles três partidos estão na dramática contingência de continuarem a perder votos. Nas últimas legislativas os dezasseis pequenos partidos concorrentes conseguiram, à custa dos partidos do regime, mais de meio milhão de votos.
Ora, perante o descalabro previsível para daqui a quatro anos, os partidos que vão garantir a governação, pejados de medo, lembraram-se que “todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais do que outros”.
Entretanto, esperemos que tudo não passe de um falhado retorno da eterna tentação totalitária fora da época, tradicionalmente, idiota.

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