O Compacto Lusófono é uma iniciativa lançada no final de 2017 pelo BAD e pelo Governo português, para financiar projetos lançados em países lusófonos.

O vice-presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e coordenador do Compacto Lusófono disse que a Corporação Financeira Internacional, o órgão do Banco Mundial para o setor privado, deverá entrar no projeto até junho de 2020.
“Há um interesse muito grande da Corporação Financeira Internacional (IFC, na sigla em inglês), de bancos europeus e de bancos privados que estão interessados em abraçar o projeto”, disse Mateus Magala em entrevista à Lusa em Abdijan, Costa do Marfim, à margem da reunião extraordinária de acionistas para aprovação do aumento de capital do BAD.
“Esperamos que a aprovação (da entrada do IFC no Compacto) esteja iminente, e eu diria, numa perspetiva otimista, que no primeiro semestre, quando fizermos os Encontros Anuais do BAD, em junho, já haja luz verde para os interessados”, vincou o responsável.
Magala adiantou que desde a reunião do BAD em Malabo, Guiné Equatorial, em junho passado, têm decorrido “conversações avançadas com o IFC e com o Banco Europeu de Investimento, e mais recentemente houve avanços”.
O coordenador do Compacto Lusófono adiantou que em Joanesburgo, no Fórum de Investimento Africano, está previsto “um encontro para avançar as discussões sobre como poderão ser incluídos esses órgãos, porque a integração no Compacto está dependente do comité diretor”, apontou o banqueiro moçambicano, salientando as vantagens da entrada de instituições financeiras multilaterais nos projetos.
“O IFC tem uma experiência tremenda em investimentos do setor privado, certamente que é uma grande mais-valia para nós porque um dos grandes objetivos do Compacto é focar-se no setor privado, promover o emprego através das parcerias público-privadas e o IFC é um parceiro com experiência de grande valor nessa área”, argumentou Mateus Magala.
O IFC é a maior instituição de desenvolvimento focada exclusivamente no setor privado dos países em desenvolvimento, aplicando os recursos financeiros, a experiência global e a perícia para ajudar os parceiros a superarem desafios financeiros e operacionais, segundo a informação que consta no site do IFC, cujo presidente acumula com o cargo de presidente do Banco Mundial.
O Compacto Lusófono é uma iniciativa lançada no final de 2017 pelo BAD e pelo Governo português para financiar projetos lançados em países lusófonos com o apoio financeiro do BAD e com garantias do Estado português, que assim asseguram que o custo de financiamento seja mais baixo e com menos risco.
O BAD, Moçambique e Portugal assinaram o primeiro acordo, a 12 de março, em Maputo, para apoiar projetos de investimento, o primeiro específico de um país, que dá acesso a financiamentos do BAD combinados com garantias de Portugal através da Sociedade para o Financiamento do Desenvolvimento (SOFID), sendo que o primeiro projeto que está a ser analisado em Moçambique é uma linha de crédito, gerida pelo banco BIC, no valor de 30 milhões de dólares.
Além do país anfitrião – que deve ser um dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) -, cada projeto deve envolver “pelo menos mais duas entidades do Compacto, por exemplo o BAD e empresas portuguesas, ou o BAD e outras empresas dos PALOP”, refere a documentação sobre o programa.
Portugal participa através da SOFID, disponibilizando 400 milhões de euros em garantias a conjugar com financiamento do BAD, que neste Compacto vai apoiar projetos orçados em até 30 milhões de dólares. Habitualmente, o BAD financia projetos acima deste valor.
A Guiné Equatorial foi o último país da esfera da lusofonia africana a assinar o documento, a 7 de outubro.

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