OPINIÃO
Por Gustavo Pires*

O Polígrafo confirmou: A nova ministra do Trabalho do XXII Governo, ao tempo em que era secretária de Estado do Turismo do XXI Governo, pediu ao grupo económico chinês Alibaba para “usar Portugal como cobaia”! Lindo…
Alguns totós portugueses parece que ficaram escandalizados. Não percebo porquê! Então não é isso que a China já faz em todo o Mundo?
O Mil Novecentos e Oitenta e Quatro, comparado com o que já acontece, não passa de uma estória para crianças.
Por isso, portem-se bem porque, senão, a China do Sr. Xi Jinping põe-nos de castigo, quer dizer, corta-nos os dólares. Aliás, a China pode cortar os dólares a quem muito bem entender.
E foi o que aconteceu, há uns dias, depois de Daryl Morey, Diretor-geral dos Houston Rockets da NBA, ter proclamado o seu apoio aos manifestantes que, em Hong Kong, lutam pela democracia. Ora bem, a nomenklatura chinesa não gostou da opinião de Daryl Moreye, para além de exigir a demissão de Daryl Morey, ordenou a todos os patrocinadores chineses para suspenderem as relações comerciais com a NBA. E a televisão estatal da China informou que não iria transmitir os jogos de pré-temporada daquela Liga. É o neomercantilismo chinês no seu melhor.
Depois, o que aconteceu foi que, tal como a nossa ministra do Trabalho defende, o mundo da NBA que para os chineses deve ser uma espécie de experiencia com cobaias que jogam basquetebol, reagiu de acordo com o esperado pelo que o afamado basquetebolista LeBron James,tal qual cobaia amestrada veio a público dizer que Daryl Morey estava “mal informado” quando, no Twitter, expressou apoio aos manifestantes que, em Hong Kong, lutam pela democracia.
Para além da arrogância chinesa o que mais escandaliza em todo este processo é o facto de LeBron James, que se permite, com toda a liberdade e sem que nenhum mal lhe aconteça, zurzir contra o presidente Donald Trump chamando-lhe entre outros epítetos de “bum”, quer dizer, de vagabundo, vir a público criticar a posição de Daryl Morey dizendo que é necessário “… ter cuidado com os nossos tweets, com aquilo que dizemos e com o que fazemos. Embora tenhamos liberdade de expressão, há muitos aspetos negativos que podem vir com isso”.
Os aspetos negativos referidos por LeBron James resumem-se ao facto de a China ter fechado a torneira que, todos os anos, despeja biliões de dólares na NBA. Por isso, é necessário muito respeitinho a fim de não magoar a fina sensibilidade do presidente Xi Jinping.
Vivemos na mais perfeita era da incoerência. Por isso, não sei se LeBron James é um apaniguado político do regime chinês, mas, do dinheiro que o governo chinês espalha pelo mundo é certamente uma vez que ganha 30 milhões de dólares por ano. E, em nome destes trinta milhões, para ele, a liberdade de expressão deve estar condicionada aos interesses do regime chinês.
O problema é que esta mentalidade está a passar para muitos governos e organizações entre elas desportivas por esse mundo fora cujos líderes entendem que as pessoas têm toda a liberdade de expressarem as suas opiniões desde que o façam de acordo com o pensamento politicamente conveniente. E, como ao tempo da Revolução Cultural na China, quando os intelectuais, por pensarem demais, eram enviados para os campos e fábricas a fim de, através do trabalho braçal, serem sujeitos a um processo de reeducação, agora, os maoistas ressuscitados dos anos setenta, bem instalados na vida e nas mordomias do capitalismo, a expensas do dinheiro dos contribuintes, como já não existem campos de reeducação pelo trabalho braçal, utilizam-se dos Tribunais a fim de fazerem vergar aqueles que criticam as posições políticas das organizações que chefiam.
Por isso, o Livro Vermelho de Mao com todos os seus pensamentos, tal qual bíblia do comunismo maoista, voltou a estar entre nós ao serviço do neomercantilismo em que todas as atividades sociais, entre as quais o desporto, são colocadas ao serviço do Estado. E a velha máxima de Mao voltou a estar na ordem do dia: “Aprende através do povo a fim de o poderes ensinar”.
Hoje, quando olhamos para a sociedade portuguesa, da economia ao desporto passando pela energia e, entre outros setores, o da saúde ou da educação, já estamos a ser tratados como autênticas cobaias ao serviço dos chineses. O problema é que,apesar dos pedidos pungentes da ministra do Trabalho, muitos portugueses, ainda não sabem e, outros, não querem saber.

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