O presidente do partido Chega reconheceu hoje que o PS, enquanto partido mais votado nas eleições legislativas de domingo, tem legitimidade para formar governo, mas indicou que não o apoiaram, pelo que será oposição na Assembleia da República.

“O Partido Socialista, provavelmente o próximo Governo, não contará com a viabilização nem com o apoio do Chega, exceto em medidas que nos pareçam pontualmente proveitosas para o povo português e para aqueles que mais têm sofrido ao longo dos últimos anos”, disse André Ventura aos jornalistas à saída da audiência com o Presidente da República, que decorreu no Palácio de Belém, em Lisboa.
O líder do partido assinalou que “reconhece que o Partido Socialista foi o partido mais votado” e por isso, que o secretário-geral socialista, António Costa, deverá ser o próximo primeiro-ministro.
“Embora nem sempre tenha sido assim, nomeadamente nos últimos anos, o Chega entende que o partido mais votado é o que tem legitimidade para governar”, acrescentou.
“Contarão connosco para oposição, que é o papel que os portugueses nos atribuíram”, assinalou André Ventura.
A comitiva do Chega, liderada por ventura e constituída por mais quatro dirigentes daquela força política, esteve reunida durante cerca de 15 minutos com Marcelo Rebelo de Sousa.
Marcelo Rebelo de Sousa recebe hoje os 10 partidos com representação parlamentar saídos das eleições legislativas de domingo, com vista à indigitação do primeiro-ministro. O Livre foi a primeira força política a ser recebida e o PS será a última, por ordem de votação.
Apesar de lamentar que o próximo governo seja socialista, André Ventura afirmou que não coloca “rótulos à partida” nem afasta cenários e, por isso, admitiu apoiar “o que for positivo para o povo português”.
Uma das preocupações que André Silva disse ter transmitido ao Presidente foi a de que “a extrema esquerda poderá estar a ganhar uma perigosa relevância” em Portugal.
Questionado pelos jornalistas, o dirigente do Chega afirmou que o partido “está com contacto com várias forças internacionais” e que membros do brasileiro PSL lhe “transmitiram felicitações” pela eleição de domingo.
“Mas nada mais do que isso para já, estamos abertos ao contacto, à negociação, nada temos contra o presidente Bolsonaro, é o presidente que eleito dos brasileiros, nós respeitamos isso. O nosso trabalho é muito diferente”, acrescentou Ventura.
Outro dos temas abordados foi a saída do Reino Unido da União Europeia, uma vez que está marcado para a próxima semana um Conselho Europeu para discutir o ‘Brexit’.
“Em matéria de política internacional, em matéria de política europeia, o Chega não se vai opor nem vai procurar minar aquilo que são os grandes consensos da sociedade portuguesa em matéria de política externa e política internacional. Estamos a falar de assuntos que implicam a representação de Portugal lá fora”, assinalou André Ventura.
Defendendo o respeito pela “soberania do povo inglês em ter decidido sair da União Europeia”, o líder do Chega desejou “que Portugal contribua para a solução e não para o problema”, ou seja para, “no quadro europeu, definir uma solução que acabe por não ter demasiados custos nem para os britânicos nem para os europeus, mas sobretudo que tenha menos custos para os europeus porque na verdade foram os britânicos que decidiram sair da União Europeia, não foi a União Europeia que decidiu expulsar os britânicos”.
No que toca a Portugal, “o Chega nunca vai defender a saída de Portugal da União Europeia”, porque não seria “economicamente sustentável, nem politicamente viável”.

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