OPINIÃO
Por Gustavo Pires*

Ao cabo de 15 anos (2004-2019) de Políticas Públicas olimpicamente desastradas, em que os portugueses foram esquecidos, o desporto escolar hipotecado, os clubes abandonados, as Federações Desportivas subtraídas das suas competências e o desenvolvimento do desporto passou a caminhar pelas ruas da amargura, aguarda-se com espectativa e curiosidade o tratamento que o Desporto terá no XXII Governo Constitucional. Vai o futuro Primeiro-ministro, à semelhança daquilo que se passa na Arábia Saudita em que o Xeique Turki bin Abdulmohsen bin Abdul Latif Al-Sheikhé o Ministro do Entretenimento, manter o desporto debaixo da tutela de pessoas muito dignas, muito importantes, muito empenhadas mas completamente incapazes relativamente à matéria, ou vai dar ao desporto a respeitabilidade que merece de acordo com o lugar que deve ocupar na sociedade portuguesa, nomeando pessoas capazes de o tirarem do buraco em que gente completamente desatinada o colocou?
Hoje, o desporto, para além de ser uma vergonha nacional é uma vergonha internacional uma vez que, entre resultados nos Jogos Olímpicos absolutamente medíocres, apresenta as mais miseráveis taxas de prática desportiva entre os 28 países da União Europeia.
Para além de tudo o mais, é absolutamente imoral andarem-se a fabricar medalhas olímpicas através de naturalizações de aviário quando da Taxa de Descarte desportivo dos jovens portugueses com 17 anos de idade (juvenis) é superior a 80% tendo -se vindo a agravar desde os 2004.
É tempo do Governo, seja ele qual for, acabar com a total anarquia que reina no desporto nacional. É tempo de o Governo, seja ele qual for, libertar o desporto das oligarquias que dele se apossaram, liberalizando-o de maneira a garantir igualdade do acesso à prática desportiva a todos os portugueses que o desejem. E equidade, na evolução na via do alto rendimento, àqueles que, verdadeiramente, demonstrem capacidades para o fazerem.
Sendo o Desporto uma atividade transversal aos mais diversos setores económicos e sociais espera-se a institucionalização de um Ministério do Desporto ou de uma Secretaria de Estado do Desporto junto do Conselho de Ministros que, com uma estrutura ligeira e ágil acabe com as mastodônticas instituições que hoje vivem à custa do dinheiro dos contribuintes.
É fundamental que, para além das oligarquias institucionalizadas, o próximo Governo tenha como grande objetivo restituir o desporto aos portugueses, às escolas, aos clubes e às Federações Desportivas.


*Professor jubilado da Faculdade de Motricidade Humana

Facebook
Twitter
Instagram