OPINIÃO
Por Joaquim Jorge*

O PS ganhou claramente, mas não pode fazer o que quer. Os portugueses não querem mais maiorias absolutas, como não querem mais tempos de austeridade versus Troika.
Em relação à abstenção teve uma maioria absoluta e quem quer o voto obrigatório é impor algo que está mal. O mal está em muitos políticos que temos e no que fazem.
A democracia funciona, se há abstenção a culpa não é do povo. Eu sugiro mudar de muitos políticos, porventura esses políticos querem mudar de povo porque o povo não vota, tem que se analisar e perceber porque o fazem.
O povo não vota por variadíssimas razões, a maior, mas parece que querem ignorar, há uma desconfiança em tudo relacionado com política que é alarmante e mostra a incapacidade dos políticos em lidar com isso e atrair eleitores.
A abstenção é um mal crescente na nossa democracia.
O PSD para o que se vaticinava não se saiu mal, mas os portugueses ainda têm na mente a austeridade imposta por Pedro Passos Coelho que foi para além da Troika.
Giulio Andreottidizia, “o poder desgasta, sobretudo a quem não o tem”. O PSD não tem poder e não o vai ter durante mais 4 anos.
Os portugueses não querem ter uma vida com cortes, mas querem uma vida com esperança e com algum dinheiro nos bolsos.
O PS vai realizar uma nova carambola governativa e pode decidir com quem quer governar ou com o PCP ou BE ou com os dois juntos incluindo PAN e Livre.
Os portugueses com a votação do PAN, o partido da moda, provam que gostam de animais, mas gostam muito mais de pessoas.
O descalabro da direita fez com que rolasse, para já, uma cabeça– Assunção Cristas. Mas, avizinha-se outras turbulências, os críticos do PSD não se vão ficar e vão querer apear Rui Rio. Jerónimo de Sousa também se deve despedir.
Por fim, António Costa tem uma vitória expressiva. Nestes resultados eleitorais os portugueses não tiveram em conta o familygate, a proliferação de familiares e amigos no Governo, o assalto de Tancos, uma ópera de bufos onde o Ministro da Defesa foi imputado com quatro delitos e o seu arremesso intempestivo para um cidadão na rua.
A sua habilidade para sair ileso de todas estas situação é quase infinita, mas na próxima legislatura não vai chegar somente habilidade.

*Biólogo, fundador do Clube dos Pensadores

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