O Ateneu Comercial do Porto celebra em outubro 150 anos com um concerto, apelos ao “contributo simbólico” para iniciar a reabilitação do edifício e biblioteca, a venda dos Lusíadas afastada e vontade de se “abrir à cidade”.

Rogério Gomes, presidente da direção do Ateneu desde janeiro, explicou que o concerto de 05 de outubro “é uma das iniciativas das comemorações dos 150 anos” da instituição, cujo “grande objetivo” atual é “abrir-se, mostrar-se e servir a cidade”, ressurgindo como um dos seus “centros de atividade”.
O concerto, de entrada livre, serve também de convite à doação de verbas para “iniciar um fundo de reabilitação do edifício e, pelo menos, dos livros mais valiosos da biblioteca” da instituição, num momento em que “a gestão [financeira] está equilibrada” e a venda da primeira edição de Os Lusíadas, de 1572, foi completamente posta de parte.
“Não está à venda. Sempre foi uma última hipótese [vender a obra], durante as dificuldades financeiras que o Ateneu viveu nos últimos 15 ou 20 anos, e atualmente estamos a sair dessa crise. Os défices, que chegaram a 60 mil euros, estão hoje ultrapassados”, assegurou Rogério Gomes.
Ainda assim, a instituição fundada em 1869, não tem verbas suficientes para a reabilitação do imóvel que “é urgente, especialmente em relação ao telhado” e que “representará sempre um investimento acima do meio milhão de euros”.
O projeto de recuperação está a cargo do arquiteto Carlos Guimarães e a direção queria começar a obra pelo telhado, que precisará de 50 a 60 mil euros.
Rogério Gomes acredita “que será possível juntar essa verba nos próximos tempos”.
Quanto ao resto da empreitada do imóvel, a intenção é estudar uma candidatura a programas de reabilitação de fundos públicos.
Na biblioteca da instituição, composta por “60 mil títulos e 80 mil livros”, a intenção é “começar a reabilitar alguns dos mais valiosos”, disse o presidente, referindo os exemplos de traduções de Shakespeare feitas pelo rei D. Luís ou uma bíblia judaica do século XVI.
A data oficial do aniversário do Ateneu é a 29 de agosto mas, por ser período de férias, a direção decidiu alargar a celebração a vários momentos.
No dia 05 de outubro, no Concerto Comemorativo, sobem ao palco o maestro Francisco Melo, o coro Anima Mea, a Orquestra Vento do Norte ou o saxofone de Henk Van Twillert, para interpretar obras de Ponchielli, Vivaldi, Astor Piazolla, Ennio Moricone, Bizet, Verdi e Mozart, entre muitos outros.
Para 12 de dezembro, Dia da Biblioteca, foi transferida a “cerimónia solene”, para a qual já foram convidadas várias “entidades oficiais”.
As comemorações do aniversário do Ateneu incluem ainda conferências e outros concertos, “alguns com surpresas”.
A 11 de outubro, o concerto do Coro do Ateneu “será acompanhado por um artista bem conhecido do Porto que ainda não podemos revelar”, adiantou Rogério Gomes.
Quanto à exposição permanente que a direção espera inaugurar “ainda este ano” vai ter como “peça fundamental” a primeira edição dos Lusíadas, podendo ainda incluir esculturas de Soares dos Reis, obras de Bordalo Pinheiro ou “objetos da história”, como a espada que Mouzinho da Silveira doou ao Ateneu.
“O grande objetivo desta direção é abrir o Ateneu à cidade e fazer com que a cidade utilize o espaço como seu”, justificou o presidente.

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