Motoristas: Greve pode prolongar-se “por vários dias”

O acordo celebrado entre a Antram, representante dos empresários do setor rodoviário, e a Fectrans, sindicato afeto à CGTP, foi feito “à revelia dos trabalhadores”, acusou, esta quinta-feira, 15 de agosto, o porta-voz do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP). Assim, a greve dos motoristas, que já dura há quatro dias, vai manter-se até que a Antram aceite negociar, e poderá mesmo prolongar-se “por vários dias”, garante o sindicato, depois de a associação dos empresários já ter recusado qualquer reunião enquanto a greve continuar.
Os representantes dos motoristas falavam, esta manhã, em Aveiras de Cima, em Lisboa, onde estão concentrados. Francisco São Bento, presidente do SNMMP, começou por afirmar, em declarações aos jornalistas, que os motoristas estão a “cumprir tudo o que estava pré-definido”, relativamente à requisição civil que foi imposta. Mas garante: “Vamos continuar a fazer a nossa greve, de forma ordeira, como tem sido feita até à data”.
O sindicalista salientou ainda que o “desafio” lançado na quarta-feira aos representantes da Antram, para que se encontrem esta tarde com o sindicato nas instalações da Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT) se mantém, apesar de já ter sido recusado pela Antram. “Continuamos a aguardar que se apresentem ambas as entidades na DGERT. Nós lá estaremos. Se a Antram quiser manter esta posição de não negociar, fica ao seu critério”.
Questionado pelos jornalistas, Francisco São Bento diz ainda que, se não houver cedências, a greve poderá continuar “por vários dias”.
Pardal Henriques, também presente na concentração, dirigiu críticas ao sindicato que chegou a acordo com a Antram. “A Fectrans veio demonstrar como funciona. Pela segunda vez em menos de um ano, veio efetivar um contrato à revelia dos trabalhadores. Os trabalhadores nada têm a dizer sobre as condições que lhes vão ser impostas”.
O porta-voz do SNMMP aponta ainda que “existem forças muito grandes a lutar contra pessoas que andam há 20 anos a pedir uma mudança nas condições laborais” e adiantou que o sindicato vai “reunir-se, conversar e redefinir estratégias”.

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