OPINIÃO
Por Gustavo Pires

Parafraseando Oscar Wild direi que tudo na vida tem a ver com poder, exceto o próprio poder na medida em que, este tem a ver com sexo. E tem a ver com o sexo porque, na verdade, o poder é o mais eficaz dos afrodisíacos. Neste sentido, a melhor maneira de nos apercebermos do verdadeiro carácter seja de quem for é vê-lo numa posição de poder porque, nas suas circunstâncias, o exercício do poder nada tem a ver com a promoção do bem comum, mas, tão só, com o afrodisíaco prazer do mando que lhe alimenta a vida. Afrodite na mitologia grega era a deusa do amor, da fertilidade e da beleza. O problema é que o amor ao poder, a fertilidade da sua multiplicação e a beleza trágica do seu exercício conduzem a situações onde predomina a autocracia e o fascismo. Em consequência, as chefias tomadas: (1º) pelo mal de húbris enquanto exercício da presunção e da arrogância; (2º) pela incapacidade de resistir à tentação de tudo querer controlar; (3º) pela perda do sentido do ridículo; (4º) pela negação da realidade, estão condenadas ao fracasso. Porque, o exercício do poder obriga a: (1º) uma perceção clara da realidade social; (2º) à aceitação de que não sabemos tudo; (3º) à assunção de que somos, simplesmente, servidores circunstanciais de um dado sistema.
Só um povo verdadeiramente livre constitui um antídoto contra a tentação autocrática do poder e a inevitável erosão da democracia.
É preciso um grande sentido do dever público, quer dizer, a perceção clara de que não somos donos, mas servidores temporários daqueles que nos elegeram, a quem devemos a transparência e a verdade de uma governação democrática.
Quando o desejo de poder se sobrepõe ao desejo de desenvolvimento estamos perante uma situação em que o subdesenvolvimento é a realidade mais provável à vista. Então, o exercício do poder enquanto gerador de corrupção do carácter, determina a escala de desenvolvimento das mais diversas áreas sociais e do próprio país. Em consequência, a questão deixa de ser a do poder sobrepor-se à lei e à justiça, mas, o quantas pessoas, completamente arrebanhadas pelo politicamente correto, abdicaram da vontade de pensar e de manifestar-se.
Sempre que tal acontece é porque o exercício do poder passou a ser gerido entre a cobardia e o medo. Quer dizer, a cobardia do poder e o medo daqueles sobre quem ele é exercido. A lógica passa a ser a do absurdo. Quem não consegue atacar os argumentos ataca o argumentador. Então, perante a normalização do absurdo a pergunta é: Quanta mentira é um país capaz de suportar?

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