BILHETE POSTAL
Por Eduardo Costa*

Cartazes e mais cartazes. Propaganda partidária. Com tantos partidos, os espaços públicos enchem-se com grandes cartazes. Cada um a vender o seu peixe. Nada contra a promoção das ideias de cada força partidária. Mas, tem que haver limites. Para que não se estrague a paisagem. Há rotundas emblemáticas onde os partidos concorrem com as suas mensagens. Fecham a rotunda num círculo de cartazes. Colocam estes em locais onde escondem o enquadramento paisagístico.
Bem que podiam ter a sensibilidade de colocar as estruturas em locais que não estragassem a paisagem. Encostados a paredes velhas, por exemplo.
Para um país que tem uma forte ambição turística, prejudica a estética dos lugares.
Houve um período em que os partidos sentiam a necessidade de retirar a propaganda logo a seguir ao ato eleitoral. Queriam ficar bem aos olhos dos cidadãos. Hoje, essa atitude não se vê. Pior do que isso. Os partidos parece que estão em campanha permanente. Aproveitam as estruturas, pouco estéticas, por vezes muito gastas, para novas mensagens. Assim, os incómodos cartazes acabam por fazer parte da paisagem.
Os cidadãos têm força, enquanto eleitores. É tempo de vermos a crítica popular a esta ocupação do espaço público por parte dos partidos. Sempre que for possível, há que criticar. Um dia vão ouvir. Perceber que ficam mal na fotografia. E não vão querer. Pode ser que, um dia, regresse o respeito dos partidos pelos nossos espaços públicos. E seja retomado a tradição em desuso de limpar a propaganda após cada ato eleitoral.

*EDUARDO COSTA, Jornalista
Presidente da Associação Nacional da Imprensa Regional

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