Defesa do antiga administrador da PT diz que acusação do Ministério Público é um “titanic processual”.

Zeinal Bava, que é acusado de crimes de corrupção, branqueamento e fraude fiscal, tenta evitar a ida a julgamento.
O Ministério Público assegura que durante anos o antigo presidente da PT recebeu mais de 25 milhões de euros através do saco azul do GES.

Vive em Londres, mas os mais próximos afastaram-se e poucos sabem o que faz e onde. Esta quarta regressa Portugal para ser inquirido. Nega ter cometido qualquer crime de corrupção ou falsificação.
Chegou a ser considerado um super-gestor português, foi premiado e convidado a dar conferências e palestras. Mas o mito desvaneceu-se ainda antes de ser acusado de corrupção passiva, branqueamento de capitais, fraude fiscal e falsificação de documento na Operação Marquês. Aquelas seis horas de audição no dia 26 de fevereiro de 2015 na Comissão Parlamentar de Inquérito à gestão do BES e do GES, onde Bava repetiu vezes sem conta “não me lembro”/ “não tenho memória”, marcaram a sua imagem para sempre. Viria a ser ouvido dois anos depois, já como arguido no processo que envolve o ex-primeiro-ministro José Sócrates, e com menos falhas de memória. Menos parco nas palavras, chegou a dizer que foi traído. Os poucos que lhe eram mais próximos afastaram-se e poucos sabem o que faz e onde. O ex-líder do outrora gigante Portugal Telecom (PT) vive agora em Londres, como confirma a morada que deu tribunal para ser notificado, e vai estar em Portugal esta quarta-feira perante o juiz Ivo Rosa para se defender.
Zeinal Bava vai deslocar-se ao Tribunal Central de Instrução Criminal, situado na rua Gomes Freire, em Lisboa, acompanhado do seu advogado José António Barreiros, a pedido do juiz que está a escrutinar a acusação do Ministério Público (MP) e a analisar os argumentos apresentados pelas defesas (como a de Bava) para perceber se há matéria para o caso seguir para julgamento. Bava podia ter recusado falar, mas aceitou responder às perguntas do juiz Ivo Rosa. No centro da inquirição estarão os 25,2 milhões de euros que recebeu entre 2007 e 2011 do Grupo Espírito Santo (GES) através de uma conta bancária em Singapura. E que acabou por devolver quase na totalidade, mas só cinco anos depois.
O ex-líder da PT diz que as transferências são legais, uma vez que tiveram por base um contrato verbal acordado com Ricardo Salgado em 2006 (e que foi passado a escrito em 2010), enquanto que o procurador Rosário Teixeira entende que existe prova indiciária de que tais pagamentos correspondem a contrapartidas por Zeinal Bava ter, alegadamente, favorecido o GES em diversos atos de gestão, primeiro como vice-presidente da PT e, mais tarde, como chief executive officer (CEO) daquela que foi a principal empresa portuguesa antes de ser contaminada pela derrocada do GES.

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