O dramaturgo e encenador argentino Federico León regressa ao Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI) com “Yo Escribo.Vos Dibujás”, com estreia marcada para quinta-feira, numa exploração de um “quebra-cabeças” que se vai compondo e unindo a narrativa.

Depois de mostrar “Las Ideas” em 2016, o argentino esteve por duas vezes em residência artística no Porto, resultando agora nesta peça cuja estreia mundial teve lugar no Teatro Nacional Cervantes, em Buenos Aires.
No Porto, o espetáculo é exibido esta quinta e sexta-feira pelas 21:00 no Mosteiro São Bento da Vitória, com cenografia de Ariel Vaccaro e música de Diego Vainer a contribuir para uma obra em que o espectador “entra num espaço em que se desenrolam e convivem múltiplas situações e jogos”, segundo a apresentação.
Em palco, e unindo Claudia Schijman, Felipe Boucau e 23 intérpretes locais, estará “uma escola onde se levam a cabo práticas que combinam rituais, jogos de infância, recordações, fragmentos de sonhos”.
Com as atrizes Clarisse Zarvos, Cris Larin e Tainah Longras, pergunta-se qual “o lugar da mulher latino-americana na história da arte”, enquanto a Companhia Hiato apresenta, no sábado, o espetáculo de encerramento, “Odisseia”. primeira pessoa que o público vai ver em palco quando entrar no Teatro Municipal Rivoli para assistir à estreia nacional de Odisseia, criação da companhia brasileira Cia. Hiato, que acontece no sábado 25 no âmbito da 42ª edição do FITEI – Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica.
A contaminação entre ficção e realidade é constante no repertório da Cia. Hiato, que conta com dez anos de actividade ancorada em questionamentos pessoais. “Chegou uma altura em que parecia narcisista trabalhar a própria biografia, mas o momento político que o Brasil vive fez-nos voltar ao que nos une”, afirma o encenador. Atirou-se, então, à Odisseia, “trajectória de um homem que vai embora e que é violento e colonizador”, para falar do racismo, sexismo, misoginia e violência que habitam a sociedade brasileira.
“Procurámos entender as histórias místicas que nos fundaram e nos fizeram abraçar a nossa violência”, problematiza Leonardo Moreira. O também director da companhia sublinha o enfoque nos contrastes de “um país de aparência tão festiva”. Nesse sentido, a peça apropria-se da xénia – conceito da Grécia Antiga que atravessa toda a obra e define a hospitalidade com que Ulisses é tratado cada vez que chega a um lugar novo – para expor a “dinâmica oposta que caracteriza o Brasil actual”.
A xénia está presente na própria estrutura do espectáculo, que dura quase cinco horas (com dois intervalos). “A ideia não era fazer só uma peça, mas uma celebração em que o público tomasse o palco no final”, revela Leonardo Moreira. O criador reconhece que fazer uma peça tão longa na era do imediatismo foi “uma decisão difícil, mas necessária à imersão na jornada que é a obra”. Esta escolha permitiu, ainda, esbater a “quarta parede” para aproximar duas partes que partilham uma realidade. “A gente não queria criar uma hierarquia entre público e actores e, para isso, precisaria de passar tempo juntos.”

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