Entrevista com patrícia Tavares, o rosto português da Euronews.

1- DE VALE DE CAMBRA PARA A EURONEWS: como foi esse percurso?
Foi um percurso como aqueles trilhos em que há sempre uma surpresa debaixo de uma pedra, encruzilhadas e mimosas na beira da estrada. São assim os caminhos de Vale de Cambra. Foram eles que me ensinaram a levantar pedras, a decidir direções e a não esquecer de olhar para a beleza das mimosas. Em pequena, sacrifiquei o lado B de uma cassete de Serge Gainsbourg, para imitar os locutores de rádio.


Foi um sonho viver de perto a história da rádio com emissores potentes
que tinha passado a senha da Revolução de Abril.

Aprendi nas rádios locais e passei pela Rádio Renascença. Foi um sonho viver de perto a história da rádio com emissores potentes que tinha passado a senha da Revolução de Abril. Passei por onde mereci e pelos cadetes da RTP. Alguns profissionais que admirava tornaram-se meus colegas e ensinaram-me a aprender. Cheguei a descer mais baixo que a crise, como muitas outras pessoas na altura da austeridade.


É um prazer estar presente num meio ‘O Primeiro de Janeiro’ que fez parte do grupo
que me deu uma das minhas primeiras oportunidades!

Foi uma altura em que as portas do emprego se fechavam e as portas de embarque se abriam. Mas foi uma experiência fundamental para poder renascer, provocar a minha sorte, encontrar as pessoas certas e ter acesso a todas as oportunidades que vieram depois. Em 2012 entrei nas portas de embarque para França, ao som de Serge Gainsbourg.

2- PIVOT DE UM CANAL EUROPEU DA DIMENSAO DO EURONEWS: que diferenças para um canal nacional?
A diferença está diversidade cultural, mas seja qual for a dimensão creio que os desafios no trabalho são os mesmos. Nos canais nacionais ou nos internacionais é preciso sorrir ao microfone, sempre que der, porque é muito mais aquilo que nos une do que o ecrã que nos separa. Seja onde for, o mais importante é trabalhar com o coração, a paixão faz o resto.

3- SENTE QUE POR SER PORTUGUESA TEM AS MESMAS OPORTUNIDADES NO CANAL QUE QUALQUER OUTRA NACIONALIDADE?
Somos mais do que uma nacionalidade no bilhete de identidade. Creio que é sempre melhor trabalhar as competências pessoais e aquilo que nos torna únicos em vez de apontar o dedo às diferenças. Sinto que, por ser portuguesa, posso ir à procura das oportunidades como qualquer outra pessoa, de qualquer nacionalidade, mas é preciso saber exatamente o que se quer e apostar naquilo que nos torna únicos.

4- COMO IMAGINA O SEU FUTURO PROFISSIONAL?
Seja onde for, o mais importante é de trabalhar com o coração, a paixão faz o resto.

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