O movimento ‘Direito à Cidade’ acusou hoje a Câmara do Porto de se escudar em estudos e debates, criando “distrações” para não avançar com medidas concretas de contenção do alojamento local no concelho.

“A Câmara do Porto, na pessoa do seu presidente, têm-se desresponsabilizado de contribuir para a resolução do problema, usando como pretexto o estudo sobre o impacto do alojamento local na cidade, agora conhecido. Enquanto isso, as pessoas foram sendo despejadas e a cidade foi perdendo a sua identidade”, afirmou Nicole Santos, numa conferência de imprensa realizada ontem no Porto.
Para aquela responsável, o estudo elaborado pela Universidade Católica apenas sistematiza os números já conhecidos por todos, nomeadamente pela autarquia, ignorando até outros fenómenos, como as unidades hoteleiras em construção ou o número de alojamentos em ‘Airbnb’ existente na cidade, que sublinham, muito tem contribuído para os despejos no centro histórico do Porto.
Nicole Santos considera ainda “irónico que o coordenador do estudo [Alberto Castro] encomendado à Universidade Católica seja presidente do Conselho Fiscal da Mota-Engil”, uma das maiores construtoras do país.
O movimento defende que o constante adiamento da aplicação de medidas de contenção do alojamento local é diretamente responsável pela realidade no centro histórico, onde há já freguesias com mais de 60% dos fogos para fins turísticos.
André Bernardino, também do movimento ‘Direito à Cidade’, acrescenta que os debates sobre alojamento local que estão agora a ser promovidos pela autarquia são meras “distrações”, não havendo “de facto um interesse em agir”.
“Enquanto há debates e estudos, as medidas de fundo não estão a ser tomadas”, disse, sublinhando que é uma maneira de “atirar areia para os olhos” dos portuenses.

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