É do período do al-Andalus, nome da Península Ibérica na Idade Média e conta a história de amor do sul de Portugal e Espanha, inspirada no rei al-Mutamid.

Situa-se no Algarve e dá pelo nome de Rota al-Mutamid. Cofinanciada por fundos europeus, em parceria com as Câmaras de Silves e Tavira, com a Direção Regional de Cultura e com a Associação de Defesa do Património Histórico e Arqueológico de Aljezur, a rota cultural é inspirada no rei poeta originário de Beja, que governou Silves e a Taifa de Sevilha.
O projeto foi financiado em 212 mil euros no âmbito do Interreg – Programa de Cooperação Transfronteiriça Espanha-Portugal (POCTEP) 2007-2013 e materializado através da marcação de um percurso cultural que está sinalizado entre Aljezur, na região noroeste do Algarve, e Cortegana, na Andaluzia.
O percurso total projetado prevê ligar Lisboa a Sevilha.
José Marreiros, vice-presidente da associação na altura da execução do projeto, contou à agência Lusa que a rota tem sido procurada «por muitos turistas» e, embora não seja possível saber se ali chegam pela rota em si, a verdade é que se vê «muita gente» junto ao painel identificativo à entrada do castelo a procurar informação.
«Integram a rota não só o castelo, como todos os monumentos do circuito histórico e cultural, igrejas e museus, e, na freguesia da Bordeira, dois sítios muito importantes: o povoado islâmico de pescadores e o museu da terra e do mar», explicou.
O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, Francisco Serra, classificou este projeto como «fundamental» para informar as gerações futuras sobre a identidade dos povos do sul peninsular, «uma tarefa permanente e enorme» que importa prosseguir.
«As pessoas, mesmo os residentes, passam pelos pedaços da História e não fazem ideia do que isso significa», referiu, admitindo que a relação do Algarve e do Alentejo com a região espanhola da Andaluzia consegue ser muito mais próxima, culturalmente, do que com outras regiões de Portugal e que estão geograficamente mais distantes.
Também o presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA), João Fernandes, considerou que este tipo de percursos culturais são o mote para interessar as pessoas a visitar a região ou para enriquecer a sua visita durante a permanência no território, com impacto também na economia local.
«O turista que tem estes centros de interesse é um turista mais qualificado e normalmente com maior poder económico, o que, obviamente, se transmite para o consumo que faz no território», referiu.
O presidente da Câmara de Tavira, Jorge Botelho, disse que o trabalho desenvolvido com os parceiros espanhóis tem permitido levar «alguns visitantes» à cidade, que dista cerca de 40 quilómetros da fronteira com a Andaluzia, em Espanha.
«Tudo aquilo que junta partes da história do legado islâmico, num roteiro de passagem das pessoas, é importante porque nos tempos de hoje há um turismo cultural que existe e as pessoas seguem essa rota», sublinhou, lembrando que existe documentação variada produzida para os turistas sobre a matéria.
Esta rota transfronteiriça (que se une em Sevilha à de Washington Irving) materializou, numa primeira fase, a Rota de al-Mutamid, a única das Rotas do Legado Andaluz que chega a Portugal.

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