BILHETE POSTAL
Eduardo Oliveira Costa*

Na política não basta ser sério, tem que parecer. “A Moral deve ser mais proibitiva do que a Lei”, já o disse S. Tomás no século XIII.
Esta coisa dos familiares de membros do Governo serem nomeados para altos cargos(ou tachos, na sábia expressão popular) cheira mal. Dá uma péssima imagem dos governan-tes junto dos cidadãos.
Será que os senhores políticos se importam com o que deles pensa o povo? O descrédito dos políticos é elevado. Mas, não vemos estes a preocuparem-se muito com isso.
E nesta situação incómoda não há partido sem telhas de vidro. Não há, infelizmente. Torna-se caricato ver políticos a defender-se dessa situação, que optam por denunciar ou-tros de partidos concorrentes. Valha a nossa coletiva paciência! Como se o que fazem esti-vesse desculpado pelo que os outros também fazem! É quase como ver-se um ladrão a justificar o roubo porque outros também roubam!
Os senhores políticos provavelmente, acham que na hora do voto os cidadãos não vão ter em conta essas “minudências”. Mas deviam ler o desagrado de um considerável número de cidadãos que se manifesta, silenciosamente, ao optar pela abstenção. E esta é cada vez maior. Um destes dias, os eleitos representam metade, ou menos, do total dos cidadãos eleitores.
Propõem agora uma Lei para definir bem essas nomeações de familiares. Senhores que governam este nosso adiado país: o limite não tem que estar em Lei! Ele está na ética, no bom senso, naquilo que o comum dos cidadãos aceita como não censurável! O povo, meus senhores, esse mesmo povo que vos elege e paga as vossas altas mordomias.

*JORNALISTA, PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL
DA IMPRENSA REGIONAL

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