BOM DIA
Por Aníbal Styliano*

Quando miúdos, não sabíamos chamar “vermes” e por isso, a quem era incorreto, destrutivo, mau caráter e mau perdedor, era usual utilizarmos “pixote”.
Caso não mudassem de atitude e de comportamento não eram bem aceites e, até darem provas de mudança, a desconfiança mantinha-se. Mas nessa altura, tudo se alterava em velocidade supersónica. Por isso, ser “pixote” era unicamente uma fase má que se corrigia rapidamente. As amizades, porque valiosas, faziam milagres.
Foi publicada a divulgação da lista dos grandes devedores à banca, os respetivos montantes e até a informação de algumas declarações de insolvência.
Comendadores e afins, pediram emprestado centenas de milhões de euros, para comprar ações na bolsa, perderam tudo (que nunca lhes pertenceu) e deixaram furados os bolsos de muitos que, de seu, pouco mais tinham que mínimo para viver ou sobreviver. Quando a arte é utilizada para “cobrir” dívidas e negócios sem vergonha, a subversão é medonha. O mesmo se passa quando políticos tentam apagar “asneiras com resultados muito graves” como se fossem ingenuidades… (a mentira incorporou o ADN).
Foram divulgados comportamentos inacreditáveis e desvalorizados por altas figuras da política e do Banco de Portugal, que pareciam enfadadas por de ter de cumprir uma obrigação perante a Assembleia da República, logo perante os eleitos pela Nação. Conclusão imediata: proverbial falta de memória e menorização de inúmeros documentos recebidos, certamente esclarecedores. Razões para o esquecimento e enfado: desconhecidos…
Indiferentes aos jogos de poder, sem a supervisão competente indispensável, foram permitidos aventureirismos ilícitos que tiveram como uma das múltiplas consequências a garantia da sucessiva perda de qualidade de vida para uma larga maioria da nossa população.
Impensável: relatórios (há sempre alguém com a honra de cumprir a cidadania) denunciaram as ilicitudes cometidas, sem nenhuma resposta ou açãodos responsáveis pelo setor.
Afirmar desconhecimento criouum conflito nacional por causa da concorrência entre os “decisores da finança” e os “homens-estátuas”. Estes, que nas ruas e praças ganham a vida com a imobilidade, poderão exigir igualdade de tratamento e de tabela de vencimentos, com a ameaça de fazer manifestação por “salários iguais” e inclusivamente mais uma das habituais greves de fome. Quem diria que a imobilidade era decisiva para o PIB?
Curiosidade: quando uma moeda tilinta numhumilde chapéu na rua (ou eventualmente numa simpática conta bancária) a imobilidade é sempre alterada!
A impunidade transforma-se numa pandemia sem vacina… até quando?
Até acabarem os “pixotes”.

*Professor

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