O emigrante português Nuno Marques, radicado há 11 anos na Noruega, país escandinavo para onde viajou para prosseguir a carreira no futebol, é candidato a presidente da câmara de Notodden, a 116 quilómetros a sul da capital, Oslo.

Filho de Pedro Marques, ex-presidente e vereador na Câmara Municipal de Tomar, o emigrante português, de 38 anos, nunca pensou abraçar a política, mas, depois de receber o convite, não demorou muito tempo a aceitar ser cabeça de lista do Partido do Centro (Senterpartiet).
«Agora, é o terceiro maior partido norueguês, um partido muito nacionalista, o antigo partido dos agricultores», referiu Nuno Marques à agência Lusa, sublinhando que é uma força política que «defende muito os interesses norugueses e a descentralização, é contra a centralização de serviços».
Nuno Marques recordou que a entrada no mundo da política aconteceu de forma inesperada, em fevereiro. Quase um mês depois, o português, que leciona Política Internacional no instituto superior Hogskolen i Sorost-Nunge, filiou-se no Partido do Centro, precisamente no dia do seu aniversário, 17 de março.
Ainda vinculado ao Notodden FK, que representa desde 2008 e no qual exerce atualmente as funções de treinador de guarda-redes, Nuno Marques disse que ficou surpreendido com a proposta de ser o candidato à presidência da câmara da comuna, com 914 quilómetros quadrados e pouco mais de 12.300 habitantes.
«Nunca me passou pela cabeça ser o candidato número um», admitiu Nuno Marques, frisando que aceitou para que possa «dar algo à comunidade», numa câmara que em que o Partido do Centro nunca teve a presidência, atribuída ao Partido Trabalhista (Arbeiderpartie).
A visão da política norueguesa, diferente da que o emigrante português tem da portuguesa, foi também «um facto que ajudou de certa maneira» para que aceitasse encabeçar a lista.
«Sigo muito a política em Portugal. Não me revia, também pela experiência de família, do meu pai. Aqui, a política é diferente. Não a política, os políticos. O objetivo deles aqui é dar o seu melhor em prol da sociedade, combater as desigualdades, as injustiças. Há um contacto mais próximo e direto junto da população. É outra cultura», explicou.
Nuno Marques considerou também que os políticos portugueses «estão a denegrir a imagem da classe política, há muitos escândalos».
«Ser político é sinónimo de corrupção em Portugal. É triste porque Portugal tem um enorme potencial, com muita pessoa boa e honesta, mas, infelizmente, quem governa o país não quer o melhor para as pessoas, quer o melhor para os seus amigos, para a sua família e para os seus negócios», disse.
Depois do Benfica, do escalão de juvenil a sénior, Nuno Marques, que ocupava a posição de guarda-redes, atuou no Estrela da Amadora antes de se transferir para o Lyn, clube de futebol de Oslo, em 2004.
Representou o Tonsberg – um mês, por empréstimo – e ingressou no Bryne e, em 2008, no Notodden FK, estabelecendo-se na cidade património da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), onde encerrou a carreira de futebolista e enveredou pelo treino de guarda-redes.
«Vim para aqui por causa do futebol. Sinto-me muito bem aqui, as pessoas sempre me trataram bem. Este convite era algo que não podia recusar, pois para qualquer emigrante é o maior sinal de reconhecimento que pode ter», concluiu Nuno Marques, que tem já como objetivo pedir a dupla nacionalidade (portuguesa e norueguesa) quando entrar em vigor a lei aprovada em dezembro de 2018.

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