A República de Angola comemora nesta terça-feira, 12 de Fevereiro, 43 anos desde que foi admitida no principal fórum de concertação política de África, a Organização de Unidade Africana (OUA), hoje designado União Africana (UA).

De acordo com a Angop, O país foi a 46ª Nação admitida na organização continental, onde tem vindo a procurar contribuir, com a sua diplomacia, para a resolução pacífica dos principais conflitos de África, essencialmente os da Região dos Grandes Lagos.
A propósito, o Ministério das Relações Exteriores sublinhou, em 2018, que a entrada do país para a sociedade africana das nações foi o culminar de “intensa batalha diplomática, sob liderança do primeiro Presidente da República, Agostinho Neto.
A esse respeito, a Angop ouviu várias personalidades políticas, que apontam os caminhos mais viáveis para o país alargar o seu raio de influência e intervenção em África, e convergem sobre o posicionamento a adoptar na União Africana.
A posição convergente sugere que Angola continue a manter as suas contribuições em dia na organização, para, desta forma, permitir que a instituição tenha condições de efectivar os programas de desenvolvimento continental.
Segundo o político e sociólogo Lucas Ngonda, há necessidade de todos os Estados membros cumprirem com rigor essa premissa da contribuição, no sentido de permitir que, progressivamente, a UA se torne menos dependente de ajudas extra-africanas.
Considera, igualmente, fundamental que o Continente Africano ultrapasse as convulsões políticas e se foque no desenvolvimento socio-económico.
Na visão de André Gaspar Mendes de Carvalho, presidente do grupo parlamentar da CASA-CE, Angola tem sido um exemplo na questão das contribuições em África.
O político, que já foi director nacional de Relações Internacionais do Ministério da Defesa (1999-2011), entende que a UA precisa de fazer muito mais para atingir os objectivos a que se propôs, sublinhando que aí a responsabilidade não é só de Angola.
“Tem de haver mais dinamismo e engajamento, para que deixemos de ser a cauda do mundo, declarou o político, antes de destacar a participação do país nas diferentes sessões de trabalho da organização, onde diz estar a contribuir com ideias válidas.

Diplomacia activa
O vice-presidente da UNITA, Raul Danda, espera que, doravante, Angola desenvolva uma diplomacia acutilante que contribua para um melhor desempenho e dignificação da UA, na resolução dos problemas do continente.
Acredita que Angola, em concertação com outros países, tem capacidade diplomática para que todos adoptem posições favoráveis ao continente.
O político questiona sobre o tipo de independência dos países da zona Franco CFA, onde podem ficar sem salários, caso a França se recuse em produzir moeda.
Entende que a UA só jogará um papel decisivo, em prol da estabilidade e desenvolvimento do continente, com membros menos dependentes e subalternos.
Para si, quem recebe excessivas benesses corre o risco de perder a própria liberdade.
A organização, alertou, deve fortalecer-se, para evitar que se recorra mais à ONU para a solução dos problemas do continente ou de países membros.