O ministro da Justiça brasileiro Sergio Moro destacou 300 elementos da Força Nacional de Segurança para o Ceará, um reforço que deverá estar concluído até ao final da semana. O estado vive uma onda de violência, com dezenas de ataques, em particular na cidade de Fortaleza.

Segundo informa a RTP, na sua edição deste domingo, 06, a missão dos soldados será a de pôr termo aos atos de violência e vandalismo que se têm multiplicado por várias cidades, sobretudo Fortaleza, a capital do Ceará.
A ordem de intervenção foi tomada depois da crescente onda de ataques a autocarros e edifícios públicos, atribuídos a “grupos criminosos”, de acordo com o comunicado emitido pelo ministério brasileiro.
Foram incendiados autocarros e edifícios como bancos e esquadras. Houve ainda ataques a postos de abastecimento de combustíveis e supermercados. Já se contam pelo menos 90 ataques desde quarta-feira em 26 cidades do Ceará. Há estabelecimentos encerrados por toda a região e as pessoas evitam sair à rua.
De acordo com os media brasileiros, os ataques são efetuados por grupos criminosos que protestam contra o endurecimento das condições de detenção que os impedem de controlar vários tipos de tráfico dentro das prisões.
De acordo com o site de informação G1, dois gangues decidiram mesmo colocar as rivalidades de lado para afrontarem em conjunto as autoridades.
O Brasil conta com a terceira maior população prisional do mundo, com 726.712 presos registados em junho de 2016. Um número que representa duas vezes mais a capacidade oficial das prisões, de acordo com os últimos números do Ministério da Justiça citados pela agência France Presse.
Esta crise é um primeiro teste para o novo presidente Jair Bolsonaro, que prometeu um programa de endurecimento da política securitária e de reforço do sistema judiciário.
Bolsonaro quer colocar um ponto final à elevada criminalidade no Brasil, garantindo impunidade aos soldados e polícias quando usarem a força em determinadas circunstâncias e criando leis sobre o porte de armas que permitam aos “bons cidadãos” defenderem-se.