Alerta surge face à aproximação das eleições de 30 de dezembro. Embaixada aconselha os cidadãos portugueses a evitar sair à rua “sem necessidade” e a guardar bens essenciais em casa.

A embaixada de Portugal na capital da República Democrática do Congo (RDCongo), Kinshasa, apelou à comunidade portuguesa residente naquele país para adotar medidas de prudência face à aproximação das eleições de 30 de dezembro.
Numa publicação através da rede social Facebook, feita precisamente uma semana antes das eleições, que vão escolher um novo Presidente da República, a embaixada lembrou que o dispositivo de segurança na capital “foi assegurado pelas autoridades”, mas assinalou que “não obstante a confiança que inspiram essas palavras, seria conveniente observar as habituais medidas de prudência sugeridas em vésperas de eleições”.
Além de aconselhar os quase 700 portugueses que vivem na RDCongo a evitar “sair sem necessidade no dia das eleições”, a embaixada pede ainda que guardem mantimentos para “qualquer eventualidade”.
Desde a sua independência do poder belga, em 1960, a RDCongo – atualmente liderada por Joseph Kabila, que não pode concorrer a um novo mandato como Presidente – nunca testemunhou uma transição política pacífica.
A embaixada portuguesa sugere que a comunidade guarde bens essenciais, como cerca de seis litros de água por pessoa para cinco dias – para beber e para a higiene básica – e alimentos enlatados ou de validade prolongada para pelo menos três dias.
Também a presença de rádios, “para se manterem informados da situação”, e de lanternas e pilhas, “que pode tornar-se a única fonte luminosa”, é aconselhada.
A representação portuguesa na RDCongo pede ainda aos portugueses para se fazerem acompanhar da “documentação necessária para poderem viajar” na eventualidade de “a situação degenerar”.
De acordo com os mais recentes dados dos registos consulares da embaixada de Portugal em Kinshasa, há cerca de 700 portugueses a viver na RDCongo, a grande maioria (570) na capital, Kinshasa, disse à Lusa fonte da secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas.
Há ainda uma comunidade de cerca de uma centena de portugueses na cidade de Lubumbashi e outros pequenos núcleos em Kisangani e Kananga.
Estes números representam apenas inscrições consulares, não contabilizando entradas e saídas do país.
Várias zonas da RDCongo têm sido afetadas pelo vírus do Ébola e palco de conflitos armados.
A instabilidade nestas zonas, essencialmente nas províncias de Kivu do Norte e Mai-Ndombe, levou a que as eleições gerais previstas para 30 de dezembro fossem adiadas para março de 2019.
Inicialmente previstas para 2016, as eleições de domingo foram já adiadas duas vezes, e, além de presidenciais, irão ainda permitir a escolha de representantes parlamentares a nível nacional e provincial.
O último adiamento foi anunciado na semana passada pela Comissão Nacional Eleitoral Independente (CENI) congolesa e foi justificado com problemas causados por um incêndio que destruiu oito mil urnas eletrónicas.
Os conflitos armados persistem, sobretudo em Beni, e algumas zonas estão a ser afetadas por um surto de Ébola, o segundo mais mortífero na história do país.
A epidemia do vírus, que se transmite por contacto físico através de fluidos corporais infetados e que provoca febre hemorrágica, foi declarada em 01 de agosto deste ano, em Mangina, nas províncias de Kivu Norte e Ituri, tendo provocado a morte a 354 pessoas e infetado mais de 583, segundo dados OMS.